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JOANA CARDOSO


PORTO,PT
27 anos, plus-size blogger e fotógrafa

Travel Guides

Açores - Dias 1 e 2


Fez ontem uma semana que voltei dos Açores, a primeira viagem do ano e a primeira viagem a um dos nosso arquipélagos. A verdade é que numa só semana recebi imensos pedidos para vir aqui falar sobre a viagem, coisa que sempre tencionei fazer, mas as saudades com que fiquei de São Miguel fazem-me querer procrastinar a escrita deste tópico. Porém, como o que tem de ser tem de ser, arregaço assim as mangas e conto-vos tudo o que fiz por lá nos quatro dias de viagem (em dois posts), tudo isto acompanhado de imensas fotos, como é bom costume meu.

Nunca pensei que fosse gostar tanto dos Açores. Entre os Açores e a Madeira sempre foi a primeira que me chamou mais à atenção, ainda o é, talvez por ser também o arquipélago maior e até à pouco tempo o menos turístico. Apesar de tudo nunca tive um desejo enorme de apanhar um avião, até que há alguns meses decidimos que o primeiro destino de 2017 seria fora...mas cá dentro. Afinal os Açores são o arquipélago que mais longe fica do continente, mas na verdade são pouco mais de duas horas de viagem.

Este post não será exactamente um guia, mas também terá muitas sugestões pelo meio para quem tencionar visitar os Açores. Talvez no fim dê uma ou outra dica, ao modo de roteiro, mas para já conto-vos como foi a viagem.


Chegamos ao final da tarde de Quinta-feira. A viagem do Porto a São Miguel foi tranquila e durou pouco mais de duas horas. Com a diferença horária de menos uma hora nos Açores, aterramos pouco antes das 18h, 17h nos Açores. 

Tínhamos à nossa espera no Aeroporto a responsável da rent-a-car para nos entregar a viatura que tínhamos pedido. É quase impossível correr a ilha sem carro, e depressa nos apercebemos disto. É a maior ilha do arquipélago, e mesmo não sendo enorme, os transportes para os locais que mais queríamos visitar eram poucos ou nulos. Assim sendo optamos por alugar um carro para os quatro dias, escolhendo por um Mercedes classe A, com mudanças automáticas que nos levou a todos os locais e foi um fiel companheiro durante a nossa estadia, por auto-estrada ou estradas secundárias menos cuidadas.


Decidimos alugar casa pelo Airbnb, como tem sido hábito nas nossas últimas viagens, e não poderíamos ter escolhido melhor. Apesar de nos termos perdido a encontrar a casa, que era bem mais fácil de encontrar do que o nosso GPS nos indicava, ficamos muito contentes com o apartamento que escolhemos na zona de Lagoa (a cerca de 15km do aeroporto através da auto-estrada).

Chegamos já depois de cair a noite e decidimos instalar-nos com calma e ir ao Continente mais próximo (a cerca de 1km) para comprar-mos algumas coisas para jantar e para os dias seguintes, especialmente para os pequenos-almoços e pequenos snacks. Os preços nas ilhas são ligeriamente mais baratos do que por cá, uma vez que nos Açores o IVA mais alto é de 18% ao invés dos 23% que por cá se praticam. Em alguns produtos nota-se a diferença, noutros nem tanto. Por lá existe ainda algumas coisas que por cá não se vendem, nomeadamente alguns produtos americanos que mostram a cultura trazida por muitos Açoreanos regressados dos Estados Unidos e até mesmo de Americanos que escolhem a ilha para passar a sua reforma (como nós cá com o Algarve).


A casa na qual ficamos fica numa zona calma, com vista para o mar, dentro de um condomínio fechado igualmente muito calmo. A casa em si era enorme, com três quartos, uma sala gigante, dois quartos-de-banho, cozinha, lavandaria, dispensa e todas as comodidades necessárias, incluindo máquinas de lavar e secar roupa. Acho que foi dos locais aonde mais me senti facilmente em casa e sem dúvida que voltaria para lá numa próxima visita.

Mas bem, o fim da tarde foi passado entre desfazer malas, fazer compras e fazer um jantar rápido. No fim, mesmo já sendo noite, e como ainda não estávamos suficientemente cansados, decidimos dar um pulinho até Ponta Delgada, bem ao centro da cidade.

Sendo Quinta-feira à noite não havia muito a fazer ficá-mo-nos por um passeio rápido, a ver algumas coisas no centro da cidade e acabamos por voltar a casa sem demoras com vontade de começar a manhã seguinte bem cedo.


Sexta começou cedo, pequeno-almoço em casa, guia definido para o dia que começava e uma vontade enorme de ver e correr tudo. Percebemos que os Açores são tal e qual como dizem, apanha-se as quatro estações num só dia, e nunca se pode prever o que a mãe natureza vai fazer. Sendo Janeiro isto é ainda pior porque de facto, apesar das temperaturas amenas que rondam os 15cº (ao contrário dos 5cº que por cá andavam), o nevoeiro é um chato que não deixa ver aquelas paisagens lindas com que sonhamos tirar fotos, pelo menos eu por mim falo.


A maioria da ilha faz-se por caminhos secundários, por entre verde sem fim, imensos pastos e...imensas vacas. Não estou a brincar quando digo que nunca vi tanta vaca por metro quadrado na minha vida. Uma pessoa olha para a direita e vê vacas, olha para a esquerda e vê vacas, olha para a frente e...vocês já entenderam. Elas são imensas, giras, mas imensas, e por vezes fazem com que fiquemos 15 minutos parados para as suas excelências passearem vagarosamente rua fora a caminho das ordenhas portáteis. E claro, a gente para e fica a olhar as vacas em modo de passeio como se estivessem a ir ao shopping com as amigas.


A manhã começou no Miradouro da Lagoa do Canário (na Grota do Inferno), tínhamos esperanças de apanhar neste local aquelas vistas maravilhosas das Sete Cidades que tanto ouvimos falar e sobre a qual tanto lemos. A sorte foi pouca porque o nevoeiro era denso, tão denso que na zona de Miradouro não sabíamos se estavamos a 80cm ou a 800m do vazio para o qual olhávamos coberto de branco. Ficamos tristes, especialmente porque no horário de Inverno o Miradouro é encerrado às 15h. sendo que se quiséssemos voltar num outro dia, teríamos de ter em atenção este horário, uma vez que o acesso ao miradouro (depois de cerca de 600m ao passar de um portão na beira da estrada) é fechado.

A verdade é que o nevoeiro não levantou o suficiente em nenhum dos dias, o que nos dá agora mais uma razão para voltarmos a São Miguel.

Acabamos por nos fazer de novo à entrada, descendo sempre com destino a Sete Cidades e às famosas lagoas.


Foi aí que, ao fim de uma curva demos de caras com o Miradouro do Cerrado das Freiras e finalmente uma daquelas paisagens com as quais ansiávamos. À nossa frente as lagoas das Sete Cidades, a verde e a azul, debaixo de um céu azul, pintado de neblina, numa calma tão grande que se alastrava a nós. Eu considerava-me uma rapariga cosmopolita, adoradora de museus e cidades movimentadas (apesar de ter sido escuteira), mas os Açores e logo aquela primeira paisagem assim fizeram-me render de novo às maravilha da Mãe Natureza e a partir daí quis sempre mais, mais e mais.


A viagem prosseguiu, montes abaixo, sempre entre curvas e contra-curvas (o meu maior pesadelo nos Açores e que se manteve a viagem toda), descendo até Sete Cidades, passando entre as duas lagoas. Como ainda era cedo, mesmo sabendo que íamos almoçar por lá, decidimos seguir viagem até mesmo à pontinha da zona Oeste da ilha e conhecer a Ponta da Ferraria.


A Ponta da Ferraria, e a zona das Termas, ficam numa zona ao fundo de falésias, aonde as praias são de areia preta e a água, mesmo no mar, é quente...tão quente que pode chegar aos 50cº. O caminho para lá é sinuoso, não muito agradável (em alguns pontos existe uma inclinação de quase 20 graus e não passam dois carros com facilidade), mas a vista é de cortar a respiração.


As Termas da Ferraria têm uma piscina de água natural quente, com um acesso a rondar os 6€, para além de diversos serviços de Spa. Porém a poucos metros e mesmo na boca do mar existe uma praia /piscina natural não vigiada de águas quentes ás quais se podem aceder sem quaisquer custos, tendo sempre em atenção o perigo que o mar possa representar.


Foi hora de regressar a Sete Cidades para um almoço no restaurante Lagoa Azul. Não sei como é que o meu irmão deu com aquele local mas é daqueles sítios pelo qual não damos nada mas no fim nos surpreende. É daqueles restaurantes ao género aldeia portuguesa, com uma decoração bem simples, espaço pequeno e um preço barato (12€ com pão e bebidas, com buffet) mas aonde a comida é boa, tem aquele sabor caseiro, é bem confeccionada e de onde se sai de barriga cheia sabendo que comemos bem.


Pelo aspecto sei que muita gente iria torcer o nariz, não é giro para fotos, mas não poderia ter pedido lugar melhor para almoçar, especialmente porque chegamos mesmo a tempo da chuva começar a cair forte no exterior.


Depois de almoço decidimos seguir até à Ribeira Grande, queríamos apenas dar um giro por um sítio que parecia giro e conhecer o sítio que desde crianças ouvíamos falar na música Ponha Aqui o Seu Pezinho.


A Ribeira Grande é daqueles sítios bonitos, plantados à beira-mar, com casas coloridas e um sotaque que queremos entender e mal conseguimos. Tem beleza e tem verde, tem mar, tem ribeira. Um passeio descontraído depois de almoço, numa Sexta em que já tínhamos apanhado nevoeiro, chuva e finalmente sol.


Perto da Ribeira Grande tínhamos destinado a Lagoa do Fogo, caminho que seguimos até nos apercebemos do nevoeiro que tomava cada subida que queríamos fazer. Foi a parte mais frustrante da viagem, não conseguir aquelas vistas panorâmicas que todos querem fotografar. Vimos a ponta da Lagoa, debaixo de um vento que soprava tão forte que fazia com que o nevoeiro tapasse e destapasse quilómetros de paisagem em poucos segundos.


Não nos demos por vencidos mas sabíamos que dali já não levávamos nada, ou seja, as fotos. Assim sendo acabamos por seguir os planos já traçados para Sábado e seguimos caminho até à Gorreana, a mais antiga plantação de chá da Europa. Eu como boa consumidora de chá tinha o local nos meus planos e queria realmente lá ir, nem que chovessem pedras.


A Gorreana dá-nos a estranha sensação de estarmos em casa. Se esperam uma visita guiada, alguém para vos receber e mostrar a "casa" então não é isso que vão encontrar. A Gorreana está de portas abertas e uma pessoa anda por onde quer, vê o que quer e segue o caminho que preferir. Nós depressa percebemos isto e fizemos a visita interna num instante, o local não é grande, e acabamos por ver as plantações apenas da grande sala com janelas enormes aonde fica o salão de chá e a loja.

O chá é grátis, só temos de nos servir, sentar e apreciar, e podemos repetir as vezes que quisermos. Podemos deixar umas moedas mas ninguém nos obriga a nada, nem anda atrás de nós. No fim sabe sempre bem comprar uns sacos de chá para trazer para casa, sem problemas de passar no aeroporto, afinal é um produto seco.


Perto da Gorreana existe a Lagoa de São Brás, a nossa última paragem antes de regressar a casa. Aqui a neblina era menos densa mas a chuva começou a cair com uma intensidade que nem guarda-chuvas ou impermeáveis nos mantinham secos. Na verdade estávamos já cansados e não oferecemos resistência em entrar no carro e voltar a Lagoa.


Foram assim os dois primeiros dias nos Açores. Como a publicação já vai grande e eu gosto de saborear uma e outra vez as memórias desta viagem, deixo a segunda parte (os dias 3 e 4) para uma outra publicação.

Entretanto e como as fotos eram tantas e não quero pesar ainda mais a publicações, decidi começar um álbum no Pinterest ao qual vou adicionando imagens da viagem aos Açores e que podem ver aqui.

4 comments

  1. Quero tanto conhecer os Açores! E com as fotos que tiraste ainda fico com mais vontade. Lindas lindas*

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  2. Joana, que fotos lindas!! Confesso que (para minha infelicidade) ainda não tive a oportunidade de visitar os Açores, mas ver as tuas fotos apenas serviu para aguçar ainda mais a vontade de visitar as ilhas!

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  3. Que imagens lindas, Joana! Eu já estive na Terceira e bem sei o quanto quero voltar aos Açores graças a esses dias lá passados, e estas tuas fotos só me vieram aguçar ainda mais a vontade!

    Jiji

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  4. Que fotografias maravilhosas! :)

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