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JOANA CARDOSO


PORTO,PT
27 anos, plus-size blogger e fotógrafa

N E W S L E T T E R

Açores - Dias 3 e 4



Depois dos dias 1 e 2 na Segunda, hoje é dia de continuarmos a saga da viagem aos Açores, finalmente trazendo os dias 3 e 4 e o final da viagem. Uma viagem que ainda me faz suspirar, que me faz querer voltar a São Miguel e quem sabe a outras ilhas do arquipélago dos Açores. A Natureza é cativante e esta viagem, a primeira deste ano, provou isso mesmo.

O 3º dia nos Açores, Sábado, começou cedo. Tinha de ser assim se queríamos aproveitar os dias ao máximo, sabendo que aquele era último antes de regressamos a casa no dia seguinte. Muito basicamente esta publicação vai falar apenas do 3º dia, uma vez que no Domingo não houve tempo para mais do que sair de casa rumo ao aeroporto e voltar ao Porto (se o nevoeiro tivesse levantado tínhamos madrugado para ir de novo ao Miradouro da Lagoa do Canário/Grota do Inferno, mas tal não aconteceu).


Começar a manhã nas Furnas, debaixo de chuva e com aquele cheiro forte a enxofre, não é para os estômagos sensíveis. Se já ia mal disposta das curvas consecutivas que apanhamos na viagem até lá, então o cheiro misturado com a chuva miudinha que caía e que molhava tudo e todos, pareceu ser ainda uma pior conjugação. As fotos foram feitas a correr, é verdade, porque apesar de ser um sítio bonito com uma vista previlegiada da Lagoa, o enxofre é mesmo um fétido inimigo.

Perdi logo ali a vontade de provar o cozido das Furnas, eu e o resto da família, e assim foi.


Depois desta experiência ruma-mos à Poça da Dona Beija, ainda na área da das Furnas mas já quase sem o cheiro pestilento que deixamos para trás. Entre a piscina do Parque da Terra Nostra (que fica na mesma povoação) e a Dona Beija, tínhamos já decidido pela segunda. Para além de sabermos que o preço era mais em conta, o espaço menos concorrido e também (a meu ver) mais giro, a verdade é que a água completamente castanha da Terra Nostra me fazia muita impressão porque tenho um bocado de medo de estar em águas nas quais não consigo ver o que anda no fundo e consequentemente o que me pode tocar.

Tanto a Terra Nostra como a Dona Beija são piscinas de águas quentes naturais, e apesar de na Dona Beija a água ser igualmente férrea, a mesma consegue ser na maioria das piscinas, bem mais límpida do que na piscina castanha da Terra Nostra. O melhor é que existem cinco piscinas no complexo, podendo aceder a todas e estando o complexo aberto todos os dias até às 23h.

O custo de entrada é de 4€ (por pessoa). Existe ainda o alugar de toalhas (2€ cada), cacifos (1€ cada) e duches de água quente (nos balneários, também por 1€). Alugamos a toalha no local porque sabíamos que não só nos iam pesar na bagagem como poderiam ficar manchas da água quase ferrugenta.

Se forem a estas piscinas usem fatos-de-banho velhos ou escuros. Nós optamos por comprar os fatos-de-banho de natação mais baratos que existiam na Sport Zone, a 3,99€, e foi sem dúvida a melhor opção.


Depois de entrarem não há hora de saída, por isso aproveitamos para ficar um bom bocado que coincidiu com a hora de almoço e com um reduzido número de pessoas no local. Foi sem dúvida dos meus sítios preferidos durante toda a viagem e no qual se pode realmente relaxar e abstrair de tudo o resto.


Depois de relaxar seguiu-se o almoço, um piquenique junto à Lagoa das Furnas, num parque de merendas à entrada do acesso ao Centro de Monitorização e Investigação das Furnas, na zona sul da Lagoa.


Foi aí que em poucos metros demos "de caras" com um dos locais mais bonitos dos Açores, e também dos mais calmos e fora de concordância com o que tínhamos encontrado até então. Estou a falar da Capela da Nossa Senhora das Vitórias, a Casa dos Barcos, a Casa da Lagoa e o Jardim (Botânico). Ali no meio do nada, mesmo ao lado da Lagoa, encontrar aquela capela de estilo neo-gótico foi uma surpresa linda.

Aquele sítio rompe com a paisagem ao mesmo tempo que se integra tão perfeitamente nela. Soube apenas depois da viagem que as Casas e a Capela foram mandadas construir por José do Canto, o mesmo que dá o nome ao Jardim ao lado da Capela. Este local é também o local de repouso de José do Canto e da sua esposa, fazendo com que a Capela seja também um mausoléu. 


O passeio por aqui foi longo, demoramos, quisemos ver tudo e beber de cada detalhe. Só algum tempo depois decidimos pegar no carro e continuar viagem. Decidimos não ir para longe, não tínhamos nada muito planeado e acabamos em Vila Franca do Campo.


A luz naquele cantinho era linda, a vista sobre o ilhéu (o famoso) de Vila Franca do Campo desimpedida, e demoramos mais um bocado por ali, nem sabemos bem porque, mas de facto havia algo naquele local, naquela luz e acho que as imagens falam por si.

Já que ali estávamos decidimos também procurar as famosas queijadas de Vila Franca do Campo e lá nos aventuramos pela Vila. Houve peripécias engraçadas pelo meio, em que o maldito Google Maps nos mandou para o meio do monte a alguns quilómetros da Vila aonde tivemos de fugir a alta velocidade de uma cadela vadia com medo de atropelarmos a bichinha que cismava em perseguir o carro e meter-se à frente do mesmo (eu fiquei uns minutos com o coração na boca e o meu irmão foi quem teve o sangue frio de meter o carro em modo sport e arrancar a alta velocidade com a cadela a perseguir-nos num sprint desenfreado).

Afinal a famosa casa das queijadas ficava na rua aonde tínhamos estacionado enquanto estávamos na vila e tínhamos passado mesmo ao lado dela antes daquela aventura. Lá acabamos por dar com o sítio e acalmar os nervos com um doce e um chá..da Gorreana.


O fim da tarde foi feito entre uma viagem ao longo da costa até casa, aonde fomos para descansar um pouco antes do jantar que tínhamos marcado no Restaurante da Associação Agrícola, um lugar muito conhecido e famoso na zona da Ribeira Grande (perto de Rabo de Peixe).

Antes do jantar não houve mais fotos, as curvas deixaram-me mesmo morta naquele dia, enjoada que nem me quero lembrar...sou mesmo uma fraquinha!


O Restaurante da AASM é um sítio enorme mas sempre cheio, sendo que é boa ideia fazer reserva porque pode acontecer não haver lugar, especialmente ao fim-de-semana à hora de jantar.

A especialidade da casa é bife, bife de carne açoreana, mesmo a ementa sendo enorme e muito bem conseguida. É importante referir que os pratos não são para pessoas sem fome, e mesmo com fome é bom que consigam comer bem porque cada bife individual é basicamente uma vaca inteira no prato...algo que ronda os 300 a 350gr (podendo até passar).


Se eu soubesse, ou tivesse noção, de antemão que o meu bife ia ser tão grande, acho que não me tinha aventurado nas entradas maravilhosas. Pão sovado, pão lêvedo, morcela com ananás, queijos da ilha... Tudo tão bom e tão bem acompanhado por um vinho que já sabíamos ser maravilhoso.


O bife em cama de queijo da ilha da minha mãe. Gosto de queijo, mas já sabia que o queijo da ilha é forte, dos que menos gosto, e derretido então fica ainda mais intenso e pungente, tanto no sabor como no cheiro.


O meu pai e irmão ficaram-se por um bife "À Associação", com um molho escuro, pimento, ovo a cavalo e alho assado. Sim, aquilo é um bife a cobrir um prato inteiro...


Já eu fui para o bife, do lombo, com molho de maracujá (natas e polpa de maracujá). Uma combinação improvável, com um fruto típico dos Açores, mas que resulta estranhamente bem.


Não sei como, não me perguntem, mas ainda houve um cantinho para a sobremesa...com esforço, mas houve. A primeira foi a minha, um pudim de chá, algo estranhamente bom. O sabor estava realmente infundido e parecia uma chávena de chá num pudim.

O jantar marcou a nossa última noite nos Açores. Domingo veio com chuva e nevoeiro, não nos aventuramos a visitar mais nenhum local e seguimos directos para o aeroporto a meio da manhã para voltarmos a casa ao meio-dia.


xxxxxxx

Foram quatro dias nos Açores, maioritariamente condensados em dois em que corremos o mais possível e visitamos o mais que conseguimos da ilha de São Miguel. Tentamos não ter demasiados planos para conseguirmos visitar cada local com a atenção que mereciam e assim foi. Ficou a vontade de voltar, rever sítios que adoramos e ver outros que ficaram por ver, especialmente as paisagens das lagoas que tanta atenção nos despertavam.

Agora, para finalizar estas publicações dedicadas aos Açores deixo um guia rápido de coisas a ter em consideração.



COMO CHEGAR
Optamos pelas viagens baratas da Ryanair que saem directamente do Porto ou Lisboa. A companhia viaja para a ilha de São Miguel ou para a Terceira e convém comprarem a viagem atempadamente para terem as melhores tarifas. Claro que podem optar pela TAP e não ficarem restringidos à bagagem de mão até 10kg.


CLIMA
O tempo nos Açores é ameno o ano inteiro, bem mais do que em Portugal continental. As temperaturas rondam os 15cº na época de Inverno e vão variando ao longo do ano até aos 25cº durante o Verão. Num só dia apanha-se facilmente as quatro estações, não só entre chuva e sol, mas também em variações de temperatura. O nevoeiro é constante e  nunca se sabe quando vai tomar conta de um local portanto é bom ter sempre segundos planos caso nos deparemos com situações como as que descrevi. 

Assim sendo aconselho a uma mala de roupa variada, mas levando sempre guarda-chuva, impermeável e calçado que não fique facilmente molhado.


DESLOCAÇÕES NA ILHA
Existem autocarros que correm a ilha toda, por exemplo da transportadora Varela, mas de facto o melhor método para visitar a ilha, sem horários constrangedores e paragens apenas aqui e acolá, é alugar um carro para a duração da viagem.

Ao longo da ilha é muito fácil de parar o carro e mesmo aonde existe parques e parquímetros o preço ronda os 0,40€ por hora, coisa que seria impensável por cá.


COMPRAS
A moeda é a mesma que a nossa, afinal continuamos dentro de Portugal, porém o IVA é de 18%, 9% e 4% (ao invés de 23, 13 e 6 como no continente). Muitas coisas saem mais baratas, outras são ao mesmo preço. Um exemplo (horrível, mas os meus pais são fumadores) é o preço do tabaco que por lá chega a custar cerca de 40% a menos que por cá, sendo que compensa comprar volumes e trazer na mala (cada pessoa pode transportar até 4 volumes).


COMIDAS TÍPICAS
Existe imensa coisa típica, muita das qual não provei, como o cozido das Furnas. Porém do que comi por lá posso aconselhar a carne açorena, as queijadas de Vila Franca do Campo, o pão/bolo lêvedo, o pão sovado e as malassadas. Existe ainda o famoso ananás e o maracujá, sendo que este dá origem à famosa bebida Kima que nos Açores é um dos refrigerantes mais conhecidos.


AONDE FICAR
Optamos por alugar apartamento através do Airbnb, no qual existe imensa oferta, porém a ilha por ser a maior e mais turística do arquipélago está bem servida de unidades hoteleiras em qualquer ponto da ilha para onde decidam ir.


ATRACÇÕES
São Miguel e os Açores em geral são maioritariamente um destino de turismo de natureza, sendo que museus e atracções pagas e fechadas são caso raro. Por exemplo, existe uma taxa de 50 cêntimos por pessoa para entrada na zona das Furnas (aonde se faz o cozido, e aonde o cheiro é horrível), mas este preço pequenino serve para fazer a manutenção adequada do espaço.


Espero que este pequeno guia vos seja útil e que acima de tudo tenham gostado destas publicações sobre a viagem aos Açores. Não se esqueçam que podem ver ainda mais fotos aqui.

4 comments

  1. Oh foi tão bom reviver a minha viagem aos Açores através das tuas fotos! Fui lá no ano passado e adorei, agora gostava de conhecer as outras ilhas! :)
    Beijinho

    http://sosweetgirlythings.blogspot.pt/

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  2. Isto porque adoro a forma como escreves e abordas os diversos temas, gostaria imenso que participasses numa TAG criada por mim, é importante referir que depois teria a vertente de combinarmos um encontro com as bloggers participantes na TAG.

    Tomei a liberdade e o atrevimento de te nomear para uma TAG do Dia dos Namorados. Adorava que respondesses, a sério! No caso de responderes, deixa o link da resposta no meu blog (no post da TAG) plzz :)

    beijinhos!

    LINK: https://fifoquices.blogspot.pt/2017/02/tag-dia-dos-namorados.html

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  3. Se já gostei do primeiro post, ADOREI este! Que imagens de sonho! Quero muito ver as furnas, e essas piscinas agora ficaram-me atrás da orelha! E comem-se tão bons bifinhos nos Açores...que aspecto delicioso!

    Btw, grande ideia, as dicas no final :D

    Jiji

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  4. adorei o teu post, Joana! :) é uma pena não ter dado para usufruires das Furnas, mas as piscinas parecem ser incríveis e essa refeição é de deixar qualquer um a salivar!

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