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JOANA CARDOSO


PORTO,PT
27 anos, plus-size blogger e fotógrafa

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Sobre a estranha necessidade de ser eu mesma


Nem acredito que já passaram umas semana desde esta publicação, também não acredito ainda a receptividade que teve e o que li de tanta gente (e continuo a ler). Nunca imaginei que algo em modo de desabafo a horas impróprias da noite se tornasse algo tão poderoso como aquilo, mas fico feliz. Caraças, fico mais do que feliz, fico completamente louca de felicidade por saber que dei voz aos medos e ideias de alguns de vocês, que consegui chegar a tanta gente e que talvez tenha conseguido despertar algumas consciências. Pois bem, hoje falamos de um novo tópico pessoal...a necessidade de ser eu mesma, por mais estranho que isto pareça.

O ser eu mesma não tem nada a ver com o meu físico, não desta vez, essa conversa dá pano para mangas mas não hoje, hoje falo sobre ser eu mesma, enquanto pessoa num colectivo de uma sociedade.

Tal como disse pouco depois do meu aniversário, fazer 26 anos significou uma mudança radical para mim, algo que eu não esperava porque ninguém muda do dia para a noite, porém as situações e acumular de momentos levam-nos a um momento que "ou vai ou racha" e acho que a mudança de idade foi a desculpa perfeita para a minha cabecinha fazer o clique que precisava.

Acho que todo o 2016 foi uma sucessão de mudanças que me leva ao dia de hoje, momento em que me sinto mais do que nunca e porra, isso deixa-me mesmo feliz!

Pois bem, a verdade é que mais do que nunca sinto que tenho de ser eu mesma, isto é, comportar-me de acordo com as minhas crenças, convicções e necessidades, ao invés de querer manipular-me a mim mesma para encaixar aqui ou acolá, de transformar ou calar o que penso ou sinto para não ofender, não mostrar demais ou apenas para pertencer estupidamente a um grupo que afinal não é o meu.

Sei que não sou a única, nem serei a última neste mundo, que muitas vezes se ri do que não tem piada, fala sobre o que não lhe interessa ou pouco sabe ou se dá com quem não gosta, isto tudo porque sentimos a necessidade de pertencer. Com o pertencer quero dizer aquela estranha necessidade de nos sentirmos incluídos num grupo de amigos ou quem quer que seja, mesmo que aquela não seja a nossa gente.

Se isto é bem comum durante a adolescência sei também que há muitos que levam este modo de viver ao longo da sua vida, sentindo sempre que têm de fazer o que não querem ou não gostam, em prol de terem um grupo de amigos no qual se sintam incluídos.

Nos últimos anos decidi dizer "basta" a este comportamento, o que também me fez decidir que não preciso de um grupo de quinze amigos em que todos gostam da exacta mesma coisa e com os quais se está na galhofa quando o que realmente pensamos e acreditamos não é mútuo.

Digo-vos que isto não é a idade a falar, porque conheço pessoas bem mais novas que já adoptaram esta postura à muito e conheço pessoas bem mais velhas que ainda se dão a este tipo de comportamento. Apesar de ser como disse, comum na adolescência, não é um fenómeno exclusivo desta idade de hormonas turbulentas.

Para mim foi algo que foi acontecendo aos poucos e depois de uma vez só. Deixei de acreditar que temos de ter exclusivamente um melhor amigo ou amiga, e passar a ver que por vezes cada pessoa tem de estar lá num determinado momento e não em todos. Não quero com isto dizer que não haja "aquela" pessoa em que confiamos mais do que em todas as outras, mas para mim é ver que existem no meu círculo de amigos (não um grupo, porque não fazem todas parte do mesmo) pessoas com as quais me posso relacionar mais num momento e menos noutro, tudo isto porque nem sempre uma só pessoa consegue ser sempre uma boa voz para nos acompanhar ou chamar à razão.

Talvez este post esteja confuso mas isto é algo muito pessoal, é a minha vivência, a minha experiência e não tem, nem deve ser, a de todos.

No meu círculo de amigos tenho pessoas de diferentes grupos, mas também tenho a sorte de já ter juntando estas pessoas e todas elas se terem dado bem, porém sei que não somos todos um grupo de amigos, fofinhos e maravilhosos como os filmes fazem crer que existem e que duram para a vida.

Trouxe nem uma mão cheia de amigos da faculdade, tenho alguns amigos do tempo de escola (primária inclusive), outros tantos que a internet me trouxe aos longo dos anos e que foram ficando. Cada uma destas pessoas têm o seu lugar na minha vida, e o seu tempo de antena nos acontecimentos que me marcam porque são todas pessoas diferentes e que não seguem as mesmas ideologias, gostos ou pensamentos, cada um é uma personalidade individual e entre nós temos factores em comum e outros nos quais discordamos, mas isso é a maravilha da amizade, é saber respeitar as diferenças e abraçar as semelhanças.

Eu sou eu mesma com estas pessoas, rio-me se achar piada mas também o deixo de fazer se não achar graça nenhuma à coisa. Se for preciso discutir sobre política, desporto ou  religião também o faço e espero que elas também o façam, porque não quero pessoas que se calem, apenas quero respeito e um bom debate de ideias.

Se hoje sou o que sou devo-o a mim mesma mas também a todos os que passaram por mim,os que foram e os que ficaram, porque até os maus e muito maus me fizeram aprender coisas valiosas e dar importância a coisas que hoje em dia parecem tão perfeitamente óbvias.

Basicamente cheguei aos dias de hoje sabendo quem sou, o que quero e com a noção que tenho de ser eu mesma e quem não gostar ou se sentir incomodado que se afaste, porque mudar para melhor, sim, mas mudar para agradar a alguém, isso nunca! Alguém uma vez me disse que temos de mudar mutuamente e adaptar-mo-nos um ao outro, à pessoa em questão, mas hoje em dia discordo veementemente disto porque não tenho de mudar por alguém, nem ninguém tem de mudar por mim (a não ser estejamos a falar de hábitos estranhos e pessoais, mas ai existe sempre a possibilidade de acordo num meio termo de ambas as partes). Acredito que nos podemos adaptar a outros, sim, mas sem perder a nossa essência, respeitando ideias mas não impondo nada.

Existe ainda muito por onde evoluir, pelo qual lutar, muitas cabeçadas na parede para dar ao longo da vida, mas aos 26 (quase 27) anos acredito que sou eu mais do que alguma vez fui. Sou eu,a miúda que gosta de coisas tão antagónicas que nem parecem ser possíveis de co-existirem, mas estando numa vida e num estado de espírito no qual me sinto bem, feliz e pronta para me aventurar no que estiver para vir.

Sinto esta estranha necessidade de ser eu mesma, que se seja confusa, maçadora e com um toque de loucura.



4 comments

  1. Sê quem queres ser e não o que os outros querem ;) és uma moça fantástica

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  2. E é isso mesmo que devemos ser, tal e qual como mencionas :)

    Beijinho ♥

    http://cristiana-tavares.blogspot.com

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  3. Adorei este texto, Joana! Tal como tu, o passar dos anos fez-me perceber cada vez mais quero ser eu mesma, sem me importar com o que os outros pensam ou sem ganas de me moldar àquilo que os outros esperam de mim! Como disseste tão bem, " quem não gostar ou se sentir incomodado que se afaste, porque mudar para melhor, sim, mas mudar para agradar a alguém, isso nunca!"

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  4. Tinha este texto por aqui guardado para ler e ainda bem que guardei: podia copiar cada uma das tuas palavras. E é algo que me tem acontecido nos últimos anos de uma forma muito gradual: a necessidade de não me forçar a ser o que não sou, e de aprender a respeitar as diferenças. E parece-me que a vida é tão mais tranquila assim!

    Jiji

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