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JOANA CARDOSO


PORTO,PT
27 anos, plus-size blogger e fotógrafa

Agora que falas nisso


Há convites e convites, depois há convites que nos deixam com um sorriso no rosto e uma dúvida enorme na hora de escrever mas os quais aceitamos com enorme ânimo. Neste caso foi a doce Daniela que me convidou para participar na rubrica "Agora que falas nisso" e que já contou com participações de outras bloggers que também gosto bastante. Dando-me o tema de "as memórias" comecei logo a pensar como poderia pegar neste assunto, abordá-lo de uma forma engraçada ou que vos prendesse e depois lembrei-me...eu sou fotógrafa, guardar memórias é aquilo que eu faço, mas hoje não vou realmente falar sobre fotografia.

As memórias são uma coisa engraçada agora que penso nisso, se bem que por vezes de engraçado tem pouco e é aí que quero chegar. Se quando falamos de memória nos vem à ideia uma série de bons momentos, bem vividos e memoráveis, por outro lado quando começamos a escavar mais fundo na ideia de memória vemos também que há um lado muito sombrio no que toca a este tema.

Se temos por norma registar memórias boas, momentos felizes e fazendo com que estes perdurem mais do que aqueles breves momentos em que foram vividos, então temos também por norma a tendência a tentar esquecer momentos maus, menos conseguidos e que por vezes trazem consigo memórias dolorosas. Apesar de tudo a memória de algo mau não tem de ser algo mau por si só, um momento mau pode muito bem levar a momentos bons. Não, não estou maluca de todo e sei bem o que quero dizer, mas vamos lá explicar isto por partes.


Aprender com os erros

Quando erremos, especialmente quando erramos em grande temos sempre a noção, ou pelo menos eu assim acredito, que esse mesmo erro pode ser um sinal de que temos de mudar algo, tentar de novo e basicamente refazer tudo aquilo que correu mal. Assim sendo a memória desse mesmo evento, por mais trágico que seja pode ser também o ímpeto necessário a mudanças radicalmente boas e felizes que levarão eventualmente a memórias que queremos guardar de um modo positivo.

Vejamos por exemplo o último feriado que vivemos, o 25 de Abril. A maior parte de nós não era vivo na altura da Revolução dos Cravos, a maioria de nós nasceu já com todos os direitos que seriam impensáveis antes disso mas mesmo assim, mesmo que não tenhamos vivido os horrores anteriores ao 25 de Abril, podemos aprender pelas memórias que nos foram passadas e lutar para que os nosso s direitos sejam mantidos, a liberdade preservada e as memórias de quem lutou não caíam no esquecimento.


Refazer memórias

Ainda focado no ponto acima referido, temos o facto de que muitas vezes quando algo corre menos bem termos aquela necessidade quase sempre iminente e imediata de refazer o momento de algum modo, de modo tornar o negativo em positivo. Ou seja: fazer, falhar e voltar a fazer para fazer melhor.


O bom no meio do mau

Refazer memórias nem sempre é possível. Imaginemos uma festividade, algo em grande como um casamento, por vezes nem tudo corre bem, por vezes é algo que escapa absolutamente ao nosso controlo. Pode ser chuva, pode ser um desastre de indumentária, pode ser um bolo que caiu ao chão antes da hora do coreo, podem ser mil coisas que não prevemos. Há memórias que não podem ser refeitas mas por vezes no meio de más memórias surgem as boas, foram as pequenas emoções e reacções, foram os risos, o apoio dos amigos, o que quer que tenha sido. Ou seja, pode não ser possível refazer uma memória mas se olharmos atentamente talvez não seja de facto uma memória que queiramos esquecer.


As memórias de outros podem ser também nossas

Acho que apesar de ter dividido algumas coisas por pontos, muitas delas acabam por se relacionar. Neste caso podia voltar à ideia do 25 de Abril, a qualquer memória de uma data comemorativa mas como já falamos disso acho que vou pegar nisto de outro modo.

Quantos de nós não partilham memórias com outras pessoas, memórias de momentos que não conseguimos dissociar desta pessoa, daquele grupo, daqueles amigos, cara metade ou família. Eu tendo a ter as melhores memórias quando estou com alguém que gosto, são momentos que mesmo que breves são relembrados como grandes, fantásticos e que nos levam a tentar criar ainda mais momentos maravilhosos. Temos por exemplo o meu aniversário dos 27 anos, uma memória de 2017 que vou levar para sempre e que foi conseguida porque depois de em 2016 ter tido um dia tão maravilhoso quis que este ano houvesse outro dia assim. Ou seja, de uma memória fiz com que outras acontecessem e partilho com aquelas pessoas maravilhosas essas mesmas lembranças.


Porém as memórias não são iguais para todos

Neste ponto aqui vou dar um exemplo e deixo-vos a pensar. No meu oitavo ano, numa aula de educação física dei um grande trambolhão, uma queda que me deixou muito dorida e com uma bela nódoa negra no traseiro. Eu não achei piada nenhuma à coisa, se bem me lembro até me vieram as lágrimas aos olhos, porém a maioria dos meus colegas, por ser uma queda parva e sem grande gravidade (tirando o meu rabito) achou tal piada à coisa que se lembraram daquele dia por muitos anos e ainda hoje se fala disso. O que para mim é uma memória menos boa para eles é algo bom, ou pelo menos ao qual acharam e acham piada. As memórias, tais como as experiências têm sempre dois lados e nós não estamos sempre do melhor lado delas.


Portanto, agora que vemos bem, a partir das memórias negativas podemos e devemos criar memórias positivas, momentos refeitos e pequenas alterações à memória de como as coisas aconteceram. Não queremos deixar de ter factos e momentos verdadeiros, nada disso, mas talvez não seja mal pensado ver as coisas numa perspectiva nova sobre a qual não tínhamos pensado até então. Que me dizem? Alinham?

Vejam o que a Daniela tem a dizer sobre este assunto, afinal tal como eu ela podia pegar neste tema de tantos modos e é algo que me deixa sempre curiosa, saber o que os outros pensam de algo que é um tema comum.

3 comments

  1. Eu confesso que sou uma pessoa muito ligada ao passado e às vezes nem sei medir o quanto isso é realmente bom, ou não. Mas adoro reviver memórias e esse é um dos principais motivos pelos quais estou sempre a fotografar!

    THE PINK ELEPHANT SHOE // INSTAGRAM //

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  2. Gostei imenso do Post. Ainda não conhecia o teu blog mas estou a adorar. Vou seguir, sem dúvida :)
    Em relação às memórias, simplesmente adoro recordá-las. As boas por isso mesmo, por serem boas e as más para que eu não volte a cometer os mesmos erros, ou aprenda a lidar com as coisas de maneira diferente.

    Beijinhos :)
    www.quandooeusetornouemnos.blogspot.pt

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  3. Sempre adorei sentar-me no sofá pegar nos álbuns de fotografias e rever todos os momentos feliz, relembrar pessoas que agora já não estão por perto e rir até chorar dos nossos penteados ou das nossas roupas da altura! Nem sempre são assim tão boas as memórias, mas as más fazem-nos aprender e permitem-nos fazer diferente no futuro! :D

    Mais uma vez Jo, obrigada por teres participado neste desafio! <3

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

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