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JOANA CARDOSO


PORTO,PT
27 anos, plus-size blogger e fotógrafa

Madrid #2



Depois de ontem vos ter mostrado a primeira parte do primeiro dia, hoje trago-vos a segunda parte...e esperando que isto não se estique tanto como ontem, se bem que eu acho que vá ser difícil porque eu falo imenso e fotografo ainda mais, vocês bem sabem como é. Então vamos lá à segunda metade deste primeiro dia, um primeiro dia bem cheio e que nos deixou satisfeitas e felizes quando voltamos ao hotel à noitinha.


Deviam ser cerca das seis da tarde quando saímos do hotel, o tempo já estava mais ameno mas mesmo assim o movimento na rua era imenso. Decidimos voltar a fazer tudo a pé, mesmo que no final do dia somando tudo dê alguns valentes quilómetros, na verdade Madrid é das cidades que se faz muito bem a ir de lado para lado a pé e só usando o metro (ou o que preferirem) pontualmente.

Fomos uma vez mais em direcção ao Sol, ou à Puertas del Sol, mas optamos por seguir por ruas menos movimentadas e conhecidas rumo à Gran Vía. Pelo caminho demos com uma livraria de rua que ficava a poucos metros da famosa Chocolateria San Ginés, a qual espreitamos prometendo voltar lá à noite...coisa fácil sabendo que está aberta 24 horas por dia.


Encontramos a Maty, uma loja de dança, disfarces e teatro, um sonho e delícia para quem adora este tipo de coisas e eu e a mãe somos esse tipo de pessoas. Perdemos uma meia hora lá, a passear entre trajes de sevilhanas, máscaras, sapatilhas de ballet e tanto mais. A loja tem dois pisos, é antiga, gira como tudo e não se pode fotografar lá dentro mas eu fui muito rebelde!


Seguimos rumo à Gran Vía, demos de novo um salto à Primark para comprar umas coisas das quais me tinha esquecido e finalmente entramos Chueca a dentro! As ruas estavam cheias mas andava-se com muita facilidade e nós fomos vagarosas, entre ruas e ruelas, descobrindo sítios super giros e entrando numa ou outra loja.


Na Chueca, mais do que em qualquer outro local em Madrid o orgulho gay (e lésbico, e bissexual e transgénero) estava bem presente, das montras, às casas, às pessoas com bandeiras às costas. Foi lindo, deixou-me inspirada, deixou-me feliz, deixou-me a querer a ligar a cada um dos meus amigos que iam dar tudo para lá estar.

Demos com uma Urban Decay (whatttt?), uma Kiehls (onde me fui desgraçar), uma Donkin' Donuts (na qual não entrei), uma Primor (que eu tinha mesmo de ir espreitar), uma Mango com outlet (onde comprei o blazer mais lindo de sempre) e um fartote de outras lojas nas quais eu facilmente tinha dado cabo do meu budget para a viagem.

Encontramos o Mercado de San Ildefonso, mais um dos que tinha na minha lista, e mesmo sendo cedo para jantar decidimos entrar. O mercado tem três pisos, é super giro como é óbvio, e a mãe não resistiu a pedir uma cachapa (tipicamente venezuelana) num dos restaurantes pequeninos que por lá havia. Eu provei, gostei, já conhecia, mas ela como cresceu com cachapas e tudo mais avaliou aquela como sendo realmente muito boa, muito bem feita, saborosa e tal como ela se lembrava de comer quando viveu no outro lado do Atlântico.


No mercado não falta de comer, beber e variedade, os preços não são baratos mas também não são nada por aí além. No nosso caso entramos só mesmo para ver e acabamos por partilhar uma entrada antes de jantar.

De volta às ruas e sem querer pegar em mapas acabamos por andar bem mais do que contávamos, não digo que nos perdemos mas quase. Felizmente isso fez com que encontrássemos uma igreja maravilhosa. Tenho de falar deste local, fora de religião e tudo mais mas pelo conceito, que já passou até na nossa televisão nacional e que me deixou de sorriso rasgado. 


A Igreja de San Anton é conhecida como a Puerta Santa de Los Sen Techo (ou Porta Santa do Sem Tecto) e é uma igreja permanentemente aberta a todos, a quem quer visitar, aos sem-abrigo que queiram lá passar para tomar banho, fazer a sua higiene, dormir, o que precisarem. A igreja tem wi-fi, tem locais para carregar telemóveis, tem comida para quem precisa e, algo que ainda me deixa de lágrimas nos olhos, deixa entrar animais. Os sem-abrigo ou pessoas que queiram lá ir com os seus animais podem fazê-lo, podem entrar sem medo e são bem recebidos! Que conceito lindo, a sério!

A igreja é arquitetonicamente bonita mas vale a pena a visita pelo conceito que tem em si, não interessando a vossa religião.

Madrid, num aparte, espantou-se porque já tem imensos locais onde os animais são bem-vindos, de cafés até lojas, como por exemplo a Decatlon que tem tacinhas de águas na lojas para os bichos. É isto, Portugal, tragam estas ideias para cá!


Finalmente seguimos até à Plaza de Chueca e encontramos o mundo! Na rua, numa segunda-feira à noite havia centenas de pessoas, em grupos, sentadas em esplanadas, no chão, a dançar, a celebrar, a passar umas horas com amigos...a viver! Foi lindo de ver, eu sou muito piegas e sentimental, mas foi daquelas coisas que dá gosto de ver. A Chueca era à cinco anos um bairro de bares, da noite, de bares gay e que não era muito bem vista por muita gente. Dizia-se que era dos locais para evitar à noite mas isso passou à história. As pessoas são amigáveis, senti-me super segura e senti-me contagiada por aquele ambiente de festa, sem preconceito e de amor...havia amor no ar!


O jantar, que era para ter sido uns quilómetro antes no Mérimée acabou por ser feito no Palosanto, local que eu tinha na lista desde que comecei a pensar na viagem a Madrid. Sempre que procurava um local para comer o Palosanto aparecia e eu acabei por ser atraída e a perceber o fascínio.

O Palosanto fica mesmo da Praça da Chueca, o ambiente é um misto de rústico e industrial, com uma simpatia incrível por parte dos funcionários, com uma vista daquele ambiente da rua mesmo de dentro do restaurante e com um menu enorme que dá para todos os gostos e que eu não achei nada caro.

Optamos por comer umas sandwiches, enormes e bem elaboradas. Ofereceram-nos a entrada, umas batatas com pimentos e chouriço, bem ao estilo espanhol. Eu optei pela sandes vegetariana, a mãe foi para um misto de frango e caril. Ficamos extremamente satisfeitas e contentes por ter lá ido. O Palosanto é mais um dos locais onde os animais são bem-vindos.


A noite caía já quando saímos mas decidimos passear pela Chueca, sem destino concreto nem pressas. Demos de caras com imensa gente, ainda mais e com mais um mercado da lista, o Mercado de San Anton. Este mercado junta o mercado comum, no qual se compra fruta, vegetais, peixe ou carne, com um outro piso no qual existem imensos restaurantes que estavam cheios à hora de jantar. Foi uma visita rápida mas gostamos, este mercado é mais aberto, mais espaçado e diferente dos dois outros anteriores mas mesmo assim muito agradável.

Acabamos por voltar à Gran Vía e descer à zona do Sol, finalmente seguindo até à Chocolateria San Ginés para uma dose dos famosos churros e chocolate quente. Gulosas como somos e ao ver que uma doses pareciam ser seis pequenos churros, decidimos pedir uma dose extra de churros. Foi o maior erro da nossa viagem a Madrid! Não conseguimos comer tudo, nem com esforço, nem com vontade, nem com muita gula!


Os churros são bons, mas não têm a típica cobertura de açúcar e canela tão típica por cá e isso faz com que estranhemos um pouco. Apesar de tudo o chocolate combina bem com eles, não é demasiado doce e eu gostei disso. Os churros são crocantes, sequinhos (ou seja, sem virem ensopados em óleo) e ficam bem quando molhados no chocolate quente. Porém não caíam na patetice de pedir mais do que uma dose para duas pessoas.


Voltamos finalmente ao hotel, tomamos um café e fomos dormir, um sono merecido e revitalizante para o segundo dia em Madrid.

1 comment

  1. A sério Joana, a tua fotografia, a tua edição. Tudo me faz viajar mesmo...
    THE PINK ELEPHANT SHOE

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