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JOANA CARDOSO


PORTO,PT
27 anos, plus-size blogger e fotógrafa

Travel Guides

Madrid #4


O final do segundo dia em Madrid levou-nos de surpresa ao meu local favorito na cidade: o Museu do Prado. Tinha lá ido na primeira visita a Madrid e desde então que se tornara no meu museu favorito, destronando até o lindinho do Louvre. Desta vez, e com mais de 25 anos, pensei em ir lá no horário livre que iniciava às 18h mas como tínhamos entretanto voltado ao hotel e os pés já começavam a doer de tantos quilómetros, decidi que o Louvre já não ia fazer parte desta minha visita...estava eu bem enganada porque Madrid provou mesmo ser uma cidade pequenina onde se vai a todo o lado a pé!


Decidi que tinha de levar a mãe gulosa a uma loja de torrões e a escolha era óbvia, assim lá fomos nós à famosa Torrons Vicens. De facto torrão não faltava, do mais variado possível, com provas por toda a loja, fabrico na hora de imensos produtos e no fundo um fartote de doçura ali ao dispor. Sem dúvida que davam uns souvenirs perfeitos mas nós decidimos trazer só algumas variedades em quantidades pequenas para provarmos. 

A loja é gira, toda em tons de branco, os cestos são de palha - super na moda, não é - e dá vontade de trazer um de tão fofos que são. Para além das muitas variedades de torrão há ainda chocolates para quem não gostar da especialidade da casa.


Decidimos passar pelo Mistura já que era quase ali ao lado. Tinha-o na lista como local a visitar para um gelado ou café e foi assim que lá fomos parar...pelo segundo motivo. Com uma montra gira, entramos para um espaço pequeno onde fazemos o pedido e descemos de seguida a um lounge a meia luz, com um aspecto de gruta mas mesmo assim super minimalista mas com pormenores bonitos, especialmente a nível de mobiliário.

O café é bom, tirado numa máquina de expressos em verde menta - algo super importante - e com os gelados bem ali ao lado também com óptimo aspecto!


Acabamos por ir caminhando, com calma e sem rumo, dando conta que rapidamente chegamos à área das Puertas del Sol. Como ainda era relativamente cedo para basicamente tudo, decidimos seguir por ruas que nem conhecíamos, fomos percorrendo, vendo a arquitectura e o céu que se tornava pesado e escuro. Eventualmente demos de caras com um monte de jornalistas em frente ao Congreso de Los Diputados esperando a chegada do Rei no dia seguinte. Mas a minha maior surpresa estava mesmo a chegar.


Quando dou conta vejo a menos de 100 metros a Fuente de Neptuno e o meu coração acelera porque sabia que o Prado era já ali ao lado. Eram cerca de 17h45, quase mesmo na hora de abertura do horário livre e eu ali, energias recuperadas do nada só porque tinha a oportunidade de voltar ao meu museu predilecto.

A fila era já enorme, dava voltas e voltas ao lado do Museu mas nem assim me senti desmotivada, segui firme, com mais alegria do que sabe-se lá o quê. Claro que eu tinha uma ideia bem clara do local onde queria ir dentro do museu e sabia perfeitamente como lá chegar.


Nem vinte minutos depois, numa fila que andou rapidamente, estava eu de bilhete grátis em punho a entrar Museu a dentro. Desta vez a entrada fez-se pelo piso inferior, pela Puerta Velázquez, sendo que da primeira vez tinha entrado directamente pelo piso 1 pela Puerta Alta de Goya.

Na verdade fui directa do piso 0 ao piso 1, directa às áreas 2 a 6 porque aí estava o que eu queria ver, ou melhor dizendo rever, o quadro David com a Cabeça de Golias de Caravaggio. Para quem não sabe Caravaggio é dos meus pintores favoritos, se não mesmo o predilecto e foi em Madrid que vi pela primeira vez uma obra dele...uma primeira vez que foi marcada com meia hora de choradeira e uma sensação muito estranha - ali uma espécie de síndrome de Stendhal - por apenas ver aquele quadro. 

Por alguma razão desta vez fiquei triste, triste pelo facto de ter existido uma reorganização das obras daquela área por parte do museu e por terem colocado aquele quadro num local tão pouco digno, numa zona de passagem, logo ali ao lado do guarda de sala. Mesmo assim fiquei uns longos cinco minutos de frente para o quadro, com uma sala praticamente vazia e a, uma vez mais, admirar cada pormenor e centímetro daquele quadro.

Acabei por dar um giro geral ao piso 1, rever tudo o que já conhecia e sair pouco tempo depois, descontente com a nova reorganização das maiorias dos espaços. Mesmo assim continuo a gostar imenso do Museu do Prado, mas talvez menos do que antes.


Saímos com algumas pingas de chuva já a cair, um céu escuro e pesado mas com o ar ainda absolutamente abafado. Decidimos apanhar o metro de volta à zona da Ópera e finalmente ir jantar, isto já perto das 19h30. 

Sem querermos andar muito ou procurar demais decidimos visitar o TGB - The Good Burguer, um pouco mais acima do nosso hotel e optar assim por uns belos hambúrgueres para jantar nessa última noite por Madrid.


Eu optei pelo vegetariano - o Veggie - e a mãe pediu o burguer de carne biológica - o Eco Burguer. Como ela achava que era pouca coisa, juntamente com duas monumentais doses de batatas com queijo derretido, pediu ainda uma dose de Epic Chicken, umas tiras de frango panado, delicioso mas uma quantidade absurdamente enorme, tão enorme que ainda levei frango comigo...para comer à meia-noite na cama (nem perguntem, não vale a pena...não estrago comida).


Depois disso ainda tomamos um café - muito mauzinho - no McDonald's na Ópera e acabamos a noite sentada na Plaza Isabel II a falar e a ver a noite cair, com imensa gente na rua, muito movimento e diversão, isto antes de voltarmos ao hotel e fazermos uma ceia de meia-noite na cama com cerejas gigantes compradas no Mercado de La Paz, bem como tortilhas e tiras de frango.


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