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JOANA CARDOSO


PORTO,PT
27 anos, plus-size blogger e fotógrafa

Itália #2



Um dia em Veneza, um dia que vai ter de ser divido em duas ou três publicações. Um dia que rendeu mais de 500 fotos editadas, quase 20km andados e muito amor por uma cidade que nunca pensei que me fosse encantar da maneira que o fez. Veneza tornou-se num pedacinho de mim, ou eu trouxe um pedacinho dela comigo, ficando o desejo de lá voltar.


O dia começou cedo, seguimos de carro até à última paragem de autocarro antes da entrada em Veneza, na zona de Porto Marghera. Paramos o carro numa das dezenas de parques - com os preços a rondar os 5€ ao dia - e nos quais o pessoal do parque vende os bilhetes para o autocarro que nos leva daquele ponto à entrada de Veneza. Os bilhetes custam 1,50€/viagem, no nosso caso compramos já de ida e volta o que ficou a 3€ por pessoa. Os bilhetes são electrónicos e funcionam como o Andante no Porto, tendo o mesmo de ser validado na altura em que se entra no autocarro.

Os parque ficam a cerca de 150m da paragem, neste caso Righi ou Mestre Via Righi e apanhando qualquer uma das linhas 2,4,6 ou 7, que estão sempre a passar, se chega a Veneza em menos de 8 minutos, atravessando a única ligação que existe a terra pela Via della Libertá.

O autocarro termina a sua marcha na Piazalle Roma, bem ao lado do Grande Canal. A partir desse ponto não existem outros transportes que não sejam a pé ou de barco. Em Veneza não são permitidos outros veículos, nem mesmo bicicletas - mesmo que algumas crianças tenham trotinetes - e toda a cidade se faz a pé ou de barco, nas famosas e caríssimas gôndolas ou nos Vaporetto que são os autocarros aquáticos da cidade.

Aqui depara-mo-nos com uma das mais controversas obras que Veneza viu na última década, a Ponte da Constituição - Ponte Della Constituizione mas mais conhecida por Ponte di Calatrava - uma criação do Espanhol Santiago Calatrava, que custou vários milhões de euros e que se veio a revelar numa afronta não só em termos de inserção num meio histórico, mas também uma ponte que só dá problemas. Muito rapidamente, e para os mais curiosos sobre o porquê, esta ponte tem uma elevação demasiado alta, acima das normais das pontes venezianas, o que faz com que a mesma exerça uma enorme pressão sobre o solo, já de si mole e que bem se sabe continua a afundar de ano para ano. Para além disso não foi pensada para pessoas com mobilidade reduzida (mas isto é um mal de toda a cidade) e a sua superfície maioritariamente em vidro, não só é um perigo em Veneza que é muitas vezes assolada por neve, nevoeiro e chuva, como os milhares de turistas com malas que por lá passam acabam por danificar rapidamente os painéis de vidro, caríssimos, que têm de ser substituídos com imensa regularidade.


Atravessando a dita ponte chegamos rapidamente à zona da Ferrovia, de onde partem muitos Vaporettos e hà praça em frente da Estação de Comboios de Veneza, a Estação de Santa Lucia, um dos outros meios para chegar de qualquer ponto de Itália a Veneza. Toda esta zona é a área de Santa Croce. Veneza divide-se por bairros ou áreas, sendo sete no total.

De Santa Croce, atravessando o Grande Canal pela Ponte degli Scalzi -  Ponte dos Descalços - chegamos, mais à frente, ao bairro de San Polo. A partir deste ponto as ruas tornam-se extremamente estreitas e as pontes sobre canais sucedem-se. Apesar de por toda a cidade existirem placas bem situadas que indiciam os principais pontos turísticos - San Marco, Rialto, etc - uma das melhores sugestões que vos posso dar é: percam-se! Veneza é uma cidade cheia de encantos e não tem mal nenhum em querer ir aos locais mais turísticos, nós assim o fizemos, mas no entretanto e depois disso, percam-se sem rumo, sem mapa ou GPS - que apenas usamos para nos situarmos em alguns momentos - e assim vão encontrar locais maravilhosos que não aparecem em guias.

San Polo é daqueles bairros que dá fotos perfeitas, tal como postais, e no qual sentimos mesmo o espírito de Veneza, as ruas estreitas, as casas muito antigas que se inclinam sobre si, os locais cheios de turistas e que do nada, virando uma esquina se tornam em locais desertos. Igrejas são, literalmente, às dezenas, algo que não é de espantar num país tão fortemente católico, mesmo assim em ruas estreitas e caminhos que achamos pequenos, encontramos entradas de igrejas que revelam interiores majestosos e completamente fora do contexto de tudo o resto que parece tão pequeno, tão apertado.


É aqui em San Polo que encontramos dois dos locais que vi repetidos em dezenas de guias, dois locais antigos onde se come e bebe bem, ao estilo de Veneza, com os famosos cicheti - tal como as tapas em Espanha ou os petiscos cá em Portugal - e os maravilhosos vinhos. São eles o All'Arco e a Cantina do Mori, os dois locais a 30m um do outro, numa zona de ruas mais escuras, com menos gente mas que quando lá se chega faz-nos deparar com filas de gente à espera. Como era cedo acabamos por apenas passar e quando lá chegamos mais ao final do dia estava já, infelizmente, fechado.

Algo interessante é que acima falei dos cicheti, mas esta palavra é apenas falada no dialecto Veneziano, sendo que no Italiano "corrente" a mesma palavra é cicchetti. Veneza tem um dialecto próprio, tal como muitos outros locais em Itália e isto deve-se ao facto da língua Italiana, que hoje se conhece, ser uma língua extremamente recente. Até à bem poucos séculos cada província tinha uma língua, ou dialecto, diferente uma vez que cada local era governado de forma mais ou menos independente e cada região acabava por formar em si toda uma cultura e sociedade que nada tinha a ver com as regiões vizinhas. Foi por volta do Renascimento, em Florença, que se denotou a necessidade de uma língua única e assim se criou o Italiano, mesmo sabendo que hoje em dia em muitos locais, como em Veneza, se continua a usar o dialecto local existente desde há muito tempo.


É com esta curiosidade e com San Polo que termino esta publicação. Ainda há muito a mostrar sobre Veneza e tanto mais a falar. Entretanto se querem todas as fotos de Veneza criei um álbum para que nada se perca.

5 comments

  1. Veneza é um autêntico sonho. E a tua edição parece que torna o espaço ainda mais bonito Joana. Adoro!

    THE PINK ELEPHANT SHOE

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  2. Adorei as fotografias :) Estive a fazer contas e estive em Veneza há 13 anos... Foi há tanto tempo que só tinha uma máquina Nikon analógica. Era miúda, foi a primeira vez que saí do país e que andei de avião e adorei. Quero muito voltar e matar saudades :)

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  3. Uau!! Sempre quis ir a Veneza, cidade que os meus avôs sempre adoraram e me falaram maravilhas e agora com essas fotos (tens um talento....) só quero mais!
    Beijinhos
    Joana
    https://curlyhairandlipsticks.wordpress.com/

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  4. A minha primeira viagem fora do país foi à Itália, há uns dez anos atrás. Veneza esteve incluída no roteiro, mas por ter sido uma excursão comprada numa agência de viagens tornou-se um pouco redutora, com horários a cumprir e lugares a visitar pré-definidos. Hoje em dia sou eu que planeio as viagens e os sítios onde quero ir. As tuas palavras e fotografias fizeram-me querer voltar à cidade dos canais e perder-me nas suas ruas.
    Fico ansiosa há espera do muito que falta mostrar. :)
    Beijinhos.

    Micaela

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  5. Que lindas fotos!! Ficou com imensa vontade de lá ir. Vai para a lista dos sítios a visitar*

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