SLIDER

Olá, eu sou a Joana - a cara por detrás do The Paper and Ink. Vinte e muitos anos, natural e residente da belíssima cidade do Porto, sou uma fotógrafa e blogger que em 2009 criou este espaço em busca de uma maneira de dar a conhecer ao mundo a minha voz, as minhas ideias e paixões. O TPI é um lifestyle blog, ou seja, é um pouco de tudo o que marca a minha vida, me apaixona e que acredito ser importante partilhar.


How to be a Woman



Num ano em que me proponho a ler um mínimo de 35 livros - depois de 25 em 2017 - decidi que deveria e fazia sentido tentar trazer mais algumas reviews das leituras de faço. Os livros são das poucas coisas que ainda gosto de quantificar em termos de resoluções porque é um grande incentivo para me fazer ler e também porque uso imenso o Goodreads e todos os anos eles fazem um desafio anual em que propomos um número e vamos verificando o nosso progresso ao longo do ano.
O ano passado esse desafio levou-me aos 25 livros, este ano serão 35 sendo que com este primeiro vou já com 3% deste desafio concluído. Neste caso não há vencidos, nem vencedores, mas para mim dá-me um enorme entusiasmo ver aquela barra avançar e no final ter uma página com estatísticas das minhas leituras anuais. Desde que comecei a saber ler que soube ou era uma ávida leitora, influências paternas, mas na altura da faculdade apesar de ler não o fazia com muita regularidade e aquela vontade foi-se perdendo. Decidi à uns 2 anos voltar à carga e tenho mantido um ritmo óptimo. Não conta só ler em quantidade, convém haver uma certa qualidade e ser acima de tudo leitoras que nós gostemos.



Pois bem, o primeiro livro do ano foi o "How to be a Woman" da inglesa Caitlin Moran. Na verdade não existe a versão portuguesa deste livro, portanto quem o quiser ler terá de ser na língua original - se bem que me parecer haver uma versão em espanhol. Encontrei este livro no grupo de leitura Our Shared Shelf, um grupo que teve a Emma Watson como fundadora e no qual ela vai de dois em dois meses, ou até mensalmente sugerindo livros que ela leu e os quais criam um debate entre os leitores no grupo antes de ser anunciado o livro seguinte.



Como a própria Emma é uma feminista convicta, muitas das escolhas andam em volta disto, quer sejam ficções ou não-ficções e neste caso é uma não-ficção da também feminista Caitlin Moran. Comecei a ler o livro em 2017, lendo apenas o primeiro capítulo e entretanto tinha-o deixado de lado para dar lugar a outros que queria ler primeiro. No início de 2018 peguei nele de novo e decidi que ia ser o primeiro livro do ano e assim foi.


Resumo do livro
Segundo o Goodreads - traduzido por mim
Apesar de terem o direito ao voto e a Pílula e não terem sido queimadas na fogueira como bruxas desde 1727, a vida não e exactamente um desfile numa passarela para a mulher moderna. Elas estão envoltas em incertezas e questões: Porque é que é suposto fazermos depilação Brasileira? Porque é que os soutiens magoam? Porquê a conversa sem fim sobre bebes? E os homens odeiam-nos secretamente? Caitlin Moran passeia entre observações provocadoras sobre a vida das mulheres com cenas dignas de gargalhadas da sua própria vida, da adolescência à sua evolução como escritora, esposa e mãe.

A minha opinião

Deixe-lhe três em cinco estrelas, não por não ter gostado, dei de facto uma boas gargalhadas mas apercebi-me que ao contrário do que o título possa levar a pensar, este livro não é um "guia para totós" sobre ser uma mulher ou como ser uma mulher. De facto o livro é basicamente um biografia nada complexa e quem sabe até um pouco ficcionada da autora, nada de mal nisso, mas há momentos que me tiram do sério.

Não posso explicar muito mais sem entrar em detalhes que basicamente caiam na área de spoilers portanto quem não quiser saber mais que pare por aqui.

Há muitas questões e problemáticas que a Caitlin fala pelas quais já passei, quer seja o seximo puro, o assédio, a falta de credibilidade num meio masculino ou o simples facto de que ao crescer vamos mudando mil vezes as nossas ideias de como vamos ser grande crescemos. No livro existem ainda momentos que me fizeram rir imenso pelos simples facto de ela descrever coisas que eu imaginava que só eu fazia mas que afinal, ao que parece, é um mal comum nas mulheres...sabem, aquela coisa de fantasiar e sonhar acordado com esta ou aquela pessoa, celebridade ou não, em que fazemos filmes na cabeça, vivemos 2 décadas, passamos por mil traumas, um casamento, dois nascimentos e tudo isto numa viagem de comboio de 17 minutos.

O tom de quase todo o livro é divertido, fácil de ler, apesar de haver momentos de reflexão mais pesada, como o caso do aborto sobre o qual ela fala sem problemas mas que nos deixa a pensar.



O facto de ela ser uma mulher real, que veio de uma família gigante e pobre e passou por coisas complicadas e momentos menos bons faz-nos de facto relacionar com ela. O que não gostei foi como ela fala do consumo de drogas e bebida com um ligeireza extrema. Podem vir falar comigo sobre sexo, dos mais variados tipos, mas quando alguém fala de ecstasy como quem fala de Paracetamol eu fico um bocado de pé atrás porque nos dias que correm esta ligeireza pode passar com uma tal facilidade para uma camada mais jovem que se torna assustador. A Caitlin cresceu nos anos 80, por lá o consumo era bastante comum, mas um livro lançado depois de 2010, por mais verdadeiro que deva ser ainda me choca por ela basicamente não ter grande arrependimentos nem algo que contrabalance ali aquele sinal óbvio de abuso de estupefacientes.

Para além disso a maneira como ela idolatriza certas pessoas, no caso dela feminista - demasiado controversa - Germaine Greer é outra das coisas que me causa um real comichão cerebral, porque ao mesmo tempo que ela idolatra esta pessoa, fala de outras e de outras idolatrações como se isso fosse algo errado. Eu nem me sei explicar muito bem ao ponto de me transmitir devidamente a minha frustração, mas há momentos assim.

Ainda um outro exemplo, enquanto a Caitlin não é favor da cirurgia plástica, eu apesar de não ser a maior fã acho que as pessoas as devem fazer, desde que isso as faça feliz - paguem é do vosso bolso e não do bolso dos contribuintes, se é apenas estético - afinal vocês sabem o quão eu sou pela ideia de gostarem de vocês mesmos e aceitarem o vosso corpo como ele é, mas sei que há mudanças que precisamos de modo a nos sentirmos felizes, quer seja furar as orelhas, fazer uma tatuagem ou fazer uma rinoplastia.

No fim posso dizer que há imensos pontos de concordância e discordância entre mim e a autora, algo normal, mas foi uma leitura boa, que recomendo se bem que devo advertir para o facto de que apesar de poderem pegar em certos argumentos para neles encontrarem uma visão vossa, também acho que devem alargar a vossa pesquisa a outras pessoas, feministas ou não, de modo a poderem ser vocês mesmos e terem as vossas próprias crenças.

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