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Olá, eu sou a Joana - a cara por detrás do The Paper and Ink. Vinte e muitos anos, natural e residente da belíssima cidade do Porto, sou uma fotógrafa e blogger que em 2009 criou este espaço em busca de uma maneira de dar a conhecer ao mundo a minha voz, as minhas ideias e paixões. O TPI é um lifestyle blog, ou seja, é um pouco de tudo o que marca a minha vida, me apaixona e que acredito ser importante partilhar.


Alpes #4


Quarto dia, um dos dias com mais aventura e medinho de toda a viagem. Mas cada coisa a seu tempo que lá chegaremos, porque quem recebeu a newsletter já imagina o que por aí vem, tanto ou mais que recebi uns e-mails muito enternecedores e com gargalhadas à mistura. Bem, vamos lá ver o que fizemos neste quarto dia de viagem.

Como leram no post anterior, chegamos a casa com neve a cair e na verdade acordamos na manhã seguinte, neste quarto dia, ainda com neve a cair, mas agora assim de um modo um bocadinho mais pesado. Quando damos conta do cenário eram assim uns valentes centímetros altíssimos de neve fofa em literalmente todo o lado. Já contávamos com isto, então saímos de casa, fomos para o carro e começamos a montar as correntes de neve. 10 minutos, 20 minutos, 30 minutos e o raio das correntes não havia maneira de fecharem em redor do pneu, assim por uns 5 centímetros apenas. Já estávamos naquela fase do "enervados com tudo e com todos" quando vêm a dona da casa explicar, no seu alemão misturado com pouquíssimo inglês,  mas que lá entendemos, que ali ninguém usa correntes e que podíamos ir sem elas sem perigo, tanto ou mais que mal chegássemos à estrada - que basicamente era ao fundo da rampa onde tínhamos estacionado - não as podíamos usar.


Ok...entramos no carro, fomos devagar, começamos a descer a rampa e nisto o carro começa a patinar e enfiamos a parte direita da frente do carro num bloco de neve fofa. Carro atolado. Colocar o carro em primeira, dançava a traseira e ele atolava mais, em segunda nem se fala, em marcha atrás então patinava ele por todo o lado. Eu não podia sair porque o lado direito do carro ficou com neve até mais de meio da porta. Lá foi a minha mãe buscar uma pá e entre tirar neve e carregar no acelerador, lá o meu irmão conseguir chegar com o carro à estrada, apenas três metros à nossa frente. Com isto perdemos mais de uma hora de viagem preciosa mas lá seguimos rumo a Salzburgo, com imenso cuidado porque entre neve e gelo, ainda apanhamos filas de vários quilómetros devido ao despiste de dois pesados enormes.

Já passava da hora de almoço quando chegamos a Salzburg Sud, onde deixamos o carro num Park & Ride, onde um bilhete dá direito ao estacionamento mais viagens ilimitadas na rede de transportes para 4 pessoas. Perfeito para nós.

Em menos de 15 minutos estamos no centro de Salzburgo, mesmo a sair ao lado do Hotel Sacher, onde podem comer a famosa Sacher Torte, mas sobre isso falo mais adiante. Fiquei logo pasmada com o tamanho de Salzburgo, é uma cidade pequenina, nada do que imaginei, mas mesmo assim tem um charme muito especial, é gira, tem uma vibração muito calminha e tem detalhes giríssimos que vão poder ver nas fotos.

Para mim Salzburgo é a cidade do Música no Coração e de Mozart. Sobre a primeira mal vi alguma referência, já a segunda existe em abundância - diria até abuso - na cidade, sendo que se lhe chamassem Mozart City nem era mal pensado.


Atravessamos a Makatsteg, uma ponte unicamente pedonal e coberta de cadeados, para chegarmos até à Getreidegasse, uma enorme rua comercial, que faz em muito lembra a nossa Rua de Santa Catarina, mas que tem a peculiaridade de todas as lojas da rua terem uma tabuleta de ferro pendurada no exterior, o que torna a rua num amor para fotos. Para além disso ainda apanhamos imensa decoração de Natal a apesar de já estarmos a meio de Janeiro eu fiquei toda babada e a desejar ter lá estado um mês antes. É nesta mesma rua, no número 9, que temos a casa onde Mozart nasceu, que é hoje em dia o museu Mozart Geburthaus.

Por entre a Getreidegasse à arcadas e mais arcadas, com lojas ou entradas de prédios que ligam a outras ruas, ruelas ou  áreas abertas por entre prédios. É tudo tão pitoresco e bonito que parece que estamos assim numa cidade de brincar, com casas de bonecas, decorações fofinhas e pormenores que fazem realmente a diferença e nos fazem parar só para os admirar.


Lá seguimos até à Catedral de Salzburgo, que para mim é um miminho pela sua cúpula majetosa à cabeceira da catedral. Por dentro é ainda mais bonita, mesmo que eu apenas consiga apreciar a parte artística.

Passeamos pela Residenzplatz, um monte de outras praças em redor da Catedral, com um sem fim de capelas e igrejas numa área de poucos metros e acabamos, surpreendentemente, a entrar no cemitério Petersfriedhof. Ao que parece existem por lá uns museus, visitas às criptas e mais uma série de capelas. Mas apenas passamos a ver, achando piada ao facto de as pessoas enfeitarem as campas com decorações de natal, incluindo luzinhas e árvores com bolinhas. 

Depois ainda pensamos apanhar o funicular até à Fortaleza de Hohensalzburg, mas a 18€ por pessoa achamos um bocadinho caro para uma viagem tão curtinha, então decidimos passear mais um pouco por entre ruas e ruelas e voltar a atravessar a ponte para ir até ao Hotel Sacher.


Aqui provamos uma das especialidade da Áustria, a Sacher Torte, originalmente criada no Hotel Sacher de Viena. É um bolo de chocolate, ligeiramente mais seco que o habitual, com um recheio leve de doce de alperece, coberto com chocolate e servido com uma dose de chantilly sem açúcar, que é realmente uma combinação perfeita para equilibrar a doçura e o lado um pouco mais seco - mas nota-se que é realmente fresco - do bolo.

As doses não são super baratas, o hotel é luxuosos, o atendimento é cuidado e pagamos 45€ por 4 fatias de bolo e 4 cafés, mas foi algo que eu quis fazer porque já tinha lido tanto sobre o bolo e o hotel que tinha mesmo de experimentar.


Acabamos o final do dia a voltar ao parque onde tínhamos deixado o carro, passamos no shopping para algumas compras no supermercado e voltamos a casa. Aqui começou a grande aventura do dia...

A neve caía e caía cada vez que nos aproximávamos mais do destino. O carro começou a perder aderência, sem conseguirmos colocar o raio das correntes de neve e estávamos a subir uma estrada a literalmente 10km/h com o carro a trabalhar no limite porque não ter quase qualquer tracção. Nisto passamos carros, entre velhos e novos, a alta velocidade, a ultrapassar, montanha acima, entre neve e gelo. O carro deslizada, patinava, se tentássemos fosse o que fosse a andar um bocadinho mais depressa o desfeche podia ser bem menos agradável. Juro que não sou pessoa de rezar mas já estava a fazer o meu testamento via mensagem com as minhas amigas.

Lá chegamos a Hinterthiersee, demorando imenso...o problema é que ao chegarmos demos com uma rampa de acesso cheia de neve, era impossível subir. O outro problema apareceu logo a seguir, não havia lugar parar parar, demos voltas e voltar, e todos os poucos lugares de rua que existiam para estacionamento estavam ou ocupados ou com mais de 1 metro de neve em altura. A minha mãe e eu agarramos nas compras, fomos vagarosamente até casa enquanto o vento começava a ficar forte, levantando a neve toda no ar numa tempestade nada amigável. O meu pai e o meu irmão só apareceram mais de uma hora depois, enregelados até aos ossos. Lá tinham deixado o carro à porta de um  hotel que estava fechado, já que não havia outra solução e já era tão tarde que os bombeiros da aldeia estavam já fechados e nem aí conseguíamos ajuda - só pedindo à cidade.

Na manhã seguinte a aventura continuou e fomos forçados a tomar uma decisão...mas isso fica para a próxima publicação.

1 comment

  1. Adorei! As fotografias estão tão, mas tão lindas!!
    Gostei muito de todos os detalhes, da neve, das tabuletas de metal, tudo! Parece um local completamente mágico!

    Beijinhos!
    MESSY GAZING

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