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Olá, eu sou a Joana - a cara por detrás do The Paper and Ink. Vinte e muitos anos, natural e residente da belíssima cidade do Porto, sou uma fotógrafa e blogger que em 2009 criou este espaço em busca de uma maneira de dar a conhecer ao mundo a minha voz, as minhas ideias e paixões. O TPI é um lifestyle blog, ou seja, é um pouco de tudo o que marca a minha vida, me apaixona e que acredito ser importante partilhar.


Precisamos deste dia?


Hoje, dia 8 de Março, celebramos de novo a nível Mundial o Dia da Mulher. Na verdade, ao longo dos últimos anos tenho lido muito sobre se necessitamos ou não deste dia, se não é apenas mais uma maneira de opressão ao nosso sexo, se este dia não deveria ser de facto "celebrado todos os dias". Matutei muito, durante imenso tempo, voltei uma e outra vez e cheguei à conclusão que sim, precisamos, mas precisamos em termos muito diferentes daquilo que temos e vemos na maioria.

Este post é escrito de uma mulher para outras mulheres, porque o Dia da Mulher deve servir para celebrar o muito que fizemos, fazemos e faremos mas também serve para dar um puxão de orelhas a muitas senhoras e meninas que se vão atravessando no meu caminho.


Se no ano passado falei sobre o feminismo e até me vesti em honra da data - levando com um anónimo em inglês que me fez deitar as garras para fora em defesa das minhas crenças - este ano venho falar com as mulheres que ainda perpetuam a ideia de que este dia é feito para serem mimadas, para receberem prendas, para os maridos lavarem a loiça ou para - cúmulo dos cúmulos - irem jantar com as amigas, beber até cair e ir ver um show de strippe.

Quando vejo dia após dia os anúncios do detergente Surf no Facebook, com uma espécie de concurso sobre o "próximo homem dos anúncios Surf" de um modo sexista com tamanha ligeireza, fico abismada, mas pior é mesmo ir ler os comentários e ver centenas de mulheres com comentários que me fazem respirar fundo, sentir as entranhas a dobrarem e os olhos a bater na nuca de tanto os revirar. Minhas amigas, sou humana, gosto de olhar, apreciar um bom corpo, comentar com uma amiga que vi um "belo pedaço" mas falar disso em público? Comentar da maneira que aquelas senhoras comentam? NÃO! Não porque se virarmos o bico ao prego, colocarmos umas meninas semi-nuas num concurso e um bando de homens a dizerem ordinarices do modo que estas mulheres dizem, então estamos perante um grave problema machista.

O problema é que ser mulher não vos dará o direito de fazerem o que não querem que vos façam, de dizerem coisas ofensivas, depreciativas, que objectificam um homem da maneira que o fazem. É graças a mulheres assim que este dia é preciso, que ainda é muito preciso.


Vivemos num mundo em que sabemos que precisamos do feminismo para criar um patamar de igualdade em muitas vertentes com os homens. Se na nossa sociedade, privilegiada sem dúvida, já temos muitos patamares conseguidos, há uns outros tantos que ainda são necessários.

O problema está quando o problema não são eles, nem a mentalidade que ainda se impõe mas sim as mulheres que parecem tentar derrubar as fundações do tanto que se fez até hoje. Culpem o modo como foram criadas, a mentalidade que incutem entre si, mas a culpa é delas e de mais ninguém. Quem tem acesso ao Facebook tem acesso a informação, mas mesmo assim são muitas das mulheres que celebram este dia de modo festivo, dando aso a todo o comércio gerado em torno deste dia, as pessoas que mais têm de ser educadas relativamente ao significado do Dia da Mulher, do feminismo e das lutas que nós e muitas outras travam nas suas vidas para verem direitos quase básicos conseguidos com muito custo.

Outro tipo de mulheres que hoje leva nas orelhas são as pseudo-feministas que se intitulam como tal, apregoam quase tudo como deve de ser e depois são as primeiras na fila a criticar outras mulheres pelo modo como se vestem, pelas escolhas sexuais livres que fazem e que falam mal dos homens com uma leviandade que me deixa abismada.

Para mim são estas pessoas que conseguem dar um mau nome ao feminismo, ao facto de queremos igualdade e não superioridade, estas mesmas pessoas que infelizmente conseguem arrastar muitas gente atrás consigo porque têm um excelente poder de comunicar mas que na verdade de contradizem de um modo louco.


Não vou dizer que eu não julgo outras pessoas, quer sejam mulheres ou homens, mas faço-o com com consciência, de modo privado - não justifica na totalidade os meus actos mas acho-o mais aceitável - e sempre com a noção que mesmo que eu não goste o que importa é que a outra pessoa e a sua escolha sejam algo com o qual se sintam confortável e que não afecte outros, nada mais do que isso.

Eu não queria de todo que este fosse um post em que estou para aqui a divagar, a falar mal ou a dar na cabeça a ninguém, mas é importante como mulheres e neste dia perceber que há de facto, dentro do nosso género, muita gente ainda que é o foco de muita da necessidade de este dia existir, ser celebrado, lembrado e marcado como um dia em que devemos falar e ser ouvidas. Acredito num mundo onde as mulheres não se empurram umas às outras, e não pretendo fazê-lo, mas acredito que devemos falar quando acreditamos que algo está errado e por mais que acredite na liberdade de expressão, acredito também que há limites para qualquer pessoa, de qualquer género.

Esqueçam as flores, prendas, mimos, os copos à borla, o show de strip...isso não é o modo de honrar este dia, façam-no antes nas acções do dia-a-dia, ensinando os vossos filhos e filhas, amigos, sobrinhos e tantos outros a importância de vivermos num mundo de igualdade, onde uma mulher pode gerir uma multinacional e um homem pode chorar e tirar uma licença de paternidade.

Queremos um mundo onde nós subimos ao patamar deles e eles possam subir ao nosso, porque também há descriminação masculina - mais do que imaginamos - e se lutamos por elas, lutamos então por todos.

3 comments

  1. Joana, não poderia concordar mais contigo. Com cada uma das palavras! Ninguém é perfeito, mas se nós próprias nos tornamos insensíveis aos problemas que existem e à importância das conquistas que OUTRAS fizeram por nós, como é que podemos dizer que queremos direitos iguais?! E quem não os quer que faça um exercício de empatia e que fique na sua vida, e que deixe as outras viverem a sua. Trata-se de ter liberdade de decidir: se quero ser feminina ou não, se quero ter filhos ou não, se quero trabalhar ou não, se, sendo homem, quero chorar ou não. Deixem-nos, atod@s, ser! Só ser! Sem labels idiotas e sem destruir ninguém. E nem entro na questão dos tantos países onde ainda se está muito longe da igualdade, porque isso seriam outros quinhentos...

    Obrigada por este post. <3

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  2. Ótimo, ótimo texto! Concordo na íntegra!
    Acho que infelizmente o que falta a muita gente (homens e mulheres) é um pensamento bem mais consciente e atual (e bom senso também).
    Pela igualdade!

    Beijinhos,
    MESSY GAZING

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  3. Não podia concordar mais contigo Joana. Trabalho numa loja de roupa e durante a semana tivemos imensas clientes à procura de roupa para irem "ao jantar das mulheres o mais descascada possível". No meio disto tudo eu só via gente que nem sequer entendia o verdadeiro significado deste dia. Para elas o principal objectivo era parecer mais bonita e arrojada (no mau sentido e de forma exagerada) do que a vizinha...

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

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