Dia Internacional da Mulher



Prolifera nos dias de hoje um crescente aparecimento de dias e festividades quase meramente comerciais e de sentido pouco certo. Bem sabemos que isto é verdade e não é que muitos de nós se importem, afinal o que gera comércio ajuda a economia a crescer, e daí advém uma série de coisas que podem ser muito benéficas no panorama da sociedade em que vivemos. 

Porém decidi pegar no dia de hoje pela vertente social e não pelo lado comercial da coisa. Não é que não tenha recebido inúmeros e-mails de propaganda a descontos, press releases e informações de marcas com campanhas especiais... Claro que recebi isso tudo mas neste dia não quero flores, nem perfumes, nem cosmética, quero antes que se despertem consciências de que ainda há muito que temos de fazer enquanto mulheres e para outras mulheres.



Devem estar a perguntar-se "Então que coisa, Joana! Agora o blog virou um antro de propaganda feminista?". A resposta é não, não virou nem vai virar, porque eu não faço propaganda, mas o blog, tal como quem o criou e nele escreve é feminista e não tem medo de partilhar ideias e quer usar o blog como meio de chegar a quem está desse lado. Sou crente de quê se mudar uma mente, uma vida, já mudei o mundo, mesmo que em pequena escala.

A verdade é que também não vos venho dar uma lição de feminismo, dos ideais por detrás dele ou nada do género. Não venho criticar este dia nem as mulheres que se sentem ofendidas por não receberem flores, nem muito menos criticar os homens que ainda fazem a graçola do "Amor, o dia é teu mas não te esqueças de fazer o jantar!" ou o "Quando chegarem a casa têm loiça para lavar".

Hoje respiro fundo, deixo isso de lado, e fico-me pela simples de ideia de explicar porque é que para mim neste dia, e em todos os dias, eu luto pela igualdade de mulheres e homens no mundo em que vivo, não apenas na sociedade em que me encontro. O meu raio de acção pode até ser pequeno, pode não atingir nem um décimo da minha sociedade, mas eu quero mudar o mundo, não todo, não sozinha, mas mudado um pensamento de cada vez, porque se eu mudo alguém, esse alguém pode mudar uma outra pessoa e cria-se um efeito bola de neve que neste caso teria e terá (espero eu) repercussões muito positivas.

Sou uma das mulheres privilegiadas neste dia e tenho perfeita noção disto. Sou branca, jovem, sem qualquer deficiência e isso por si só é já uma vantagem enorme. Para além disto tudo vivo numa sociedade na qual existem muitas falhas ainda em termos de igualdade mas nessa mesma sociedade eu posso votar, posso estudar livremente, posso escolher o meu rumo (com mais ou menos luta), posso ser eu mesma e falar (quase) livremente sem medo de repercussões.

Porém o feminismo, numa posição privilegiada como a minha ajuda-me a ajudar, a lutar por outras mulheres. Não é o levantar a minha opinião no dia de hoje ou aderir a uma manifestação que vai conseguir algo de imediato, nem é algo pelo qual me devo congratular. Porém é o meu privilégio, a minha posição e a minha crença na igualdade que fará com que todos os dias eu lute através do meu activismo, através das minhas acções, através do meu protesto com quem me rodeia, criando diálogo, movendo ideias, discussões e criando espaço para quem não pode falar, não pode agir tão livremente como eu.

Dias que marcam o que quer que seja não acontecem todos os dias, manifestações e acções de protesto também não, mas a desigualdade acontece em todos os dias, horas e minutos da nossa vida enquanto mulheres, privilegiadas ou não. Este dia deve marcar isso, uma voz mais alta para que nos ouçam, um despertar de consciência para outras mulheres e também homens: É um dia para basicamente celebrarmos não só o facto de sermos mulheres, capazes, mas também para celebramos as vitórias conseguidas até aqui e para delinearmos os planos para manter e  reivindicar todos os direitos a que temos direito (desculpem a redundância) e à igualdade que deveria ser inerente ao mundo em que vivemos em plenos século XXI.

E ao comentário que li este dias de um homem a dizer que as feministas são um bando de putas feias e mal-cheirosas, que não se depilam, andam nuas e não tomam banho, aqui tens uma imagem de uma feminista.










Joana, 28 anos e natural da cidade do Porto. 
Sou uma fotógrafa de profissão, louca por viagens e sempre com demasiadas opiniões para dar. 
Este é o meu blog no qual escrevo desde 2009 e ele já mudou tanto quanto eu mudei ao longo destes últimos, quase, 10 anos.

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