Alpes #4


Quarto dia, um dos dias com mais aventura e medinho de toda a viagem. Mas cada coisa a seu tempo que lá chegaremos, porque quem recebeu a newsletter já imagina o que por aí vem, tanto ou mais que recebi uns e-mails muito enternecedores e com gargalhadas à mistura. Bem, vamos lá ver o que fizemos neste quarto dia de viagem.

Como leram no post anterior, chegamos a casa com neve a cair e na verdade acordamos na manhã seguinte, neste quarto dia, ainda com neve a cair, mas agora assim de um modo um bocadinho mais pesado. Quando damos conta do cenário eram assim uns valentes centímetros altíssimos de neve fofa em literalmente todo o lado. Já contávamos com isto, então saímos de casa, fomos para o carro e começamos a montar as correntes de neve. 10 minutos, 20 minutos, 30 minutos e o raio das correntes não havia maneira de fecharem em redor do pneu, assim por uns 5 centímetros apenas. Já estávamos naquela fase do "enervados com tudo e com todos" quando vêm a dona da casa explicar, no seu alemão misturado com pouquíssimo inglês,  mas que lá entendemos, que ali ninguém usa correntes e que podíamos ir sem elas sem perigo, tanto ou mais que mal chegássemos à estrada - que basicamente era ao fundo da rampa onde tínhamos estacionado - não as podíamos usar.


Ok...entramos no carro, fomos devagar, começamos a descer a rampa e nisto o carro começa a patinar e enfiamos a parte direita da frente do carro num bloco de neve fofa. Carro atolado. Colocar o carro em primeira, dançava a traseira e ele atolava mais, em segunda nem se fala, em marcha atrás então patinava ele por todo o lado. Eu não podia sair porque o lado direito do carro ficou com neve até mais de meio da porta. Lá foi a minha mãe buscar uma pá e entre tirar neve e carregar no acelerador, lá o meu irmão conseguir chegar com o carro à estrada, apenas três metros à nossa frente. Com isto perdemos mais de uma hora de viagem preciosa mas lá seguimos rumo a Salzburgo, com imenso cuidado porque entre neve e gelo, ainda apanhamos filas de vários quilómetros devido ao despiste de dois pesados enormes.

Já passava da hora de almoço quando chegamos a Salzburg Sud, onde deixamos o carro num Park & Ride, onde um bilhete dá direito ao estacionamento mais viagens ilimitadas na rede de transportes para 4 pessoas. Perfeito para nós.

Em menos de 15 minutos estamos no centro de Salzburgo, mesmo a sair ao lado do Hotel Sacher, onde podem comer a famosa Sacher Torte, mas sobre isso falo mais adiante. Fiquei logo pasmada com o tamanho de Salzburgo, é uma cidade pequenina, nada do que imaginei, mas mesmo assim tem um charme muito especial, é gira, tem uma vibração muito calminha e tem detalhes giríssimos que vão poder ver nas fotos.

Para mim Salzburgo é a cidade do Música no Coração e de Mozart. Sobre a primeira mal vi alguma referência, já a segunda existe em abundância - diria até abuso - na cidade, sendo que se lhe chamassem Mozart City nem era mal pensado.


Atravessamos a Makatsteg, uma ponte unicamente pedonal e coberta de cadeados, para chegarmos até à Getreidegasse, uma enorme rua comercial, que faz em muito lembra a nossa Rua de Santa Catarina, mas que tem a peculiaridade de todas as lojas da rua terem uma tabuleta de ferro pendurada no exterior, o que torna a rua num amor para fotos. Para além disso ainda apanhamos imensa decoração de Natal a apesar de já estarmos a meio de Janeiro eu fiquei toda babada e a desejar ter lá estado um mês antes. É nesta mesma rua, no número 9, que temos a casa onde Mozart nasceu, que é hoje em dia o museu Mozart Geburthaus.

Por entre a Getreidegasse à arcadas e mais arcadas, com lojas ou entradas de prédios que ligam a outras ruas, ruelas ou  áreas abertas por entre prédios. É tudo tão pitoresco e bonito que parece que estamos assim numa cidade de brincar, com casas de bonecas, decorações fofinhas e pormenores que fazem realmente a diferença e nos fazem parar só para os admirar.


Lá seguimos até à Catedral de Salzburgo, que para mim é um miminho pela sua cúpula majetosa à cabeceira da catedral. Por dentro é ainda mais bonita, mesmo que eu apenas consiga apreciar a parte artística.

Passeamos pela Residenzplatz, um monte de outras praças em redor da Catedral, com um sem fim de capelas e igrejas numa área de poucos metros e acabamos, surpreendentemente, a entrar no cemitério Petersfriedhof. Ao que parece existem por lá uns museus, visitas às criptas e mais uma série de capelas. Mas apenas passamos a ver, achando piada ao facto de as pessoas enfeitarem as campas com decorações de natal, incluindo luzinhas e árvores com bolinhas. 

Depois ainda pensamos apanhar o funicular até à Fortaleza de Hohensalzburg, mas a 18€ por pessoa achamos um bocadinho caro para uma viagem tão curtinha, então decidimos passear mais um pouco por entre ruas e ruelas e voltar a atravessar a ponte para ir até ao Hotel Sacher.


Aqui provamos uma das especialidade da Áustria, a Sacher Torte, originalmente criada no Hotel Sacher de Viena. É um bolo de chocolate, ligeiramente mais seco que o habitual, com um recheio leve de doce de alperece, coberto com chocolate e servido com uma dose de chantilly sem açúcar, que é realmente uma combinação perfeita para equilibrar a doçura e o lado um pouco mais seco - mas nota-se que é realmente fresco - do bolo.

As doses não são super baratas, o hotel é luxuosos, o atendimento é cuidado e pagamos 45€ por 4 fatias de bolo e 4 cafés, mas foi algo que eu quis fazer porque já tinha lido tanto sobre o bolo e o hotel que tinha mesmo de experimentar.


Acabamos o final do dia a voltar ao parque onde tínhamos deixado o carro, passamos no shopping para algumas compras no supermercado e voltamos a casa. Aqui começou a grande aventura do dia...

A neve caía e caía cada vez que nos aproximávamos mais do destino. O carro começou a perder aderência, sem conseguirmos colocar o raio das correntes de neve e estávamos a subir uma estrada a literalmente 10km/h com o carro a trabalhar no limite porque não ter quase qualquer tracção. Nisto passamos carros, entre velhos e novos, a alta velocidade, a ultrapassar, montanha acima, entre neve e gelo. O carro deslizada, patinava, se tentássemos fosse o que fosse a andar um bocadinho mais depressa o desfeche podia ser bem menos agradável. Juro que não sou pessoa de rezar mas já estava a fazer o meu testamento via mensagem com as minhas amigas.

Lá chegamos a Hinterthiersee, demorando imenso...o problema é que ao chegarmos demos com uma rampa de acesso cheia de neve, era impossível subir. O outro problema apareceu logo a seguir, não havia lugar parar parar, demos voltas e voltar, e todos os poucos lugares de rua que existiam para estacionamento estavam ou ocupados ou com mais de 1 metro de neve em altura. A minha mãe e eu agarramos nas compras, fomos vagarosamente até casa enquanto o vento começava a ficar forte, levantando a neve toda no ar numa tempestade nada amigável. O meu pai e o meu irmão só apareceram mais de uma hora depois, enregelados até aos ossos. Lá tinham deixado o carro à porta de um  hotel que estava fechado, já que não havia outra solução e já era tão tarde que os bombeiros da aldeia estavam já fechados e nem aí conseguíamos ajuda - só pedindo à cidade.

Na manhã seguinte a aventura continuou e fomos forçados a tomar uma decisão...mas isso fica para a próxima publicação.






Joana, 28 anos e natural da cidade do Porto. 
Sou uma fotógrafa de profissão, louca por viagens e sempre com demasiadas opiniões para dar. 
Este é o meu blog no qual escrevo desde 2009 e ele já mudou tanto quanto eu mudei ao longo destes últimos, quase, 10 anos.

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