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Olá, eu sou a Joana - a cara por detrás do The Paper and Ink. Vinte e muitos anos, natural e residente da belíssima cidade do Porto, sou uma fotógrafa e blogger que em 2009 criou este espaço em busca de uma maneira de dar a conhecer ao mundo a minha voz, as minhas ideias e paixões. O TPI é um lifestyle blog, ou seja, é um pouco de tudo o que marca a minha vida, me apaixona e que acredito ser importante partilhar.


13 Reasons Why - 2



Foi há um ano que vos falei sobre o livro, a série e a primeira temporada de um dos programas mais conhecidos da Netflix. Na altura falava-se, como vos disse de uma segunda temporada, algo que se veio a confirmar e que foi lançada dia 18 de Maio do mês passado. Desta vez não houve um livro por detrás da segunda temporada, mas sim uma escolha de dar continuidade, no formato de série, a esta história que se tornou tão conhecida e polémica.

Como bem se lembram, esta história tornou-se rapidamente conhecida ao abordar os casos de suicídio, abuso sexual, pressão social e tanto mais que acontece no universo adolescente, em especial na altura do secundário. Se o ano passado vos disse que esta é, em especial, a realidade americana das coisas, continuo a manter a minha posição, porém não invalida que todas estas pressões e problemáticas não existam na nossa sociedade, existem, mais do que se imagina, apenas com contornos diferentes.

Uma vez mais a Netflix conseguiu uma série fantástica e acho que tenho visto séries originais umas atrás de outras, e esta é apenas a primeira sobre a qual pretendo falar. Com um casting muito bom, muito diversificado, boa cinematografia e banda sonora, a segunda temporada de Por Treze Razões/13 Reasons Why é uma óptima continuidade da primeira.




A partir deste ponto irão existir spoilers. Continuem apenas se aceitarem saber o que se passa na segunda temporada da série.



Na primeira publicação dei-vos as minhas treze razões para verem ou não a série. Criei um contraponto entre o livro e a série televisiva, justificando e questionando diferenças e alterações. Desta vez não me vou alongar tanto, e uma vez que não existe livro para esta segunda temporada, irei apenas focar-me nos pontos importantes da série.

Esta nova temporada começa com um aviso muito sério, feito pelos protagonistas da série, depois da polémica que foi levantada em torno da primeira temporada. Na altura muitos adultos, psicólogos e outros afirmavam que havia uma romantização do suicídio, mesmo que tenha sido escolhido o seu retrato de forma bem mais violenta que no livro. Muita gente acreditava e afirmava que os mais jovens e pessoas mais sensíveis poderiam encontrar na série novas "ideias" de seguir o mesmo caminho.

O aviso é feito para desaconselhar a visualização por parte de jovens, pessoas sensíveis, susceptíveis e outras, sendo que a série deve ser vista por adultos ou acompanhados pelos mesmos. Também criaram um site - 13reasonswhy.info - que aparece no final de cada episódio, onde incluem diversos países - como Portugal - no qual são dado os números e contactos de linhas de apoio e ainda um guia de discussão sobre a série que está disponível para toda a gente.



Esta temporada consegue ser ainda mais pesada que a primeira. Desta vez a série expande-se a todo o círculo em redor das pessoas principais que foram parte da primeira temporada e aquilo que eram problemas do secundário, entre adolescentes, passam a ser problemas que trazem para o enredo os pais e professores de um modo muito realista.

O suicídio da Hannah leva os pais a abrirem um processo contra a escola, de modo a responsabilizar um sistema que não faz nada pelos seus alunos que são vítimas de agressões, violações e tanto mais dentro do próprio estabelecimento. Toda esta temporada se desenrola em torno deste julgamento, que desta vez gira em torno dos depoimentos das testemunhas, que são quase todas as pessoas que apareceram nas cassetes da primeira temporada.

O que acontece nesta temporada é que conhecemos as versões das histórias contadas pela própria Hannah e ficamos a entender que muitos dos problemas, não só delas mas de muitas das personagens, não se ficam apenas pelos adolescentes em si mas também pelos pais e famílias, trazendo para a série a questão dos problemas familiares, o facto de os adolescentes terem dificuldade em confiar nos pais e tanto mais.

É por aqui que esta temporada se torna mais negra, mais adulta e mais fascinante na medida que se aprofunda imenso os problemas existentes e fazendo-se sentir que são bem mais vastos do que a primeira temporada transmite. Esta temporada tem assim um elenco bem mais alargado.



Acho que é explorado de uma forma muito realista e actual muitos dos problemas levantados. No final da série há um segundo julgamento relativo à violação de Jessica por parte do do Bryce, que como acabamos por perceber violou já várias raparigas incluindo a própria namorada, e que para mim foi dos casos que mostrou a problemática do assédio e violação que tem sido um tópico quente dos últimos meses.

Algo muito realista é a série não acabar em bem, num género de "felizes para sempre". A realidade do sistema americano é mostrada, e para mim em forma de crítica bem dura - ao deixarem sair o Bryce com 3 meses de pena suspensa - por ser um bom rapaz, de boas famílias - ao prenderem o Justin por 6 meses - por ser um toxicodependente vindo de uma família destruída - e ao mostrar uma série de depoimentos "imaginados" de várias mulheres, não apenas adolescentes, da série, que falam sobre casos de abuso sexual e assédio.

Mais forte ainda, e ainda neste último episódio da temporada, é o que acontece ao Tyler e o que ele faz devido a isso. Tive de saltar uma cena inteira - obrigado a quem me avisou - não pela cena de maus tratos em si mas pelo momento em que as calças do Tyler são baixadas e forçam de modo bruto a penetração anal com o cabo de uma vassoura. O que acontece a seguir é um retrato bem americano e assustador, quando nessa mesma noite - a noite do baile - ele pega em todo um arsenal escondido na cave de casa e armado segue até à escola para levar a cabo um massacre.

Tal acaba por não acontecer, o que me leva a crer que haverá uma terceira temporada, mas mostra a realidade que todos conhecemos dos EUA, onde a compra de armas é tão simplificada que os tiroteios em escolas são algo "normal". Acho que não só aqui se faz uma dura crítica mas se mostra como as coisas podem influenciar as pessoas e levá-las a um ponto em que sentem que já nada mais têm a perder.



Nesta temporada são 13 episódios, de cerca de 1h cada. São episódios que vão construindo narrativas em torno das vidas das personagens principais e que nos levam a uma antecipação do clímax desta segunda temporada, e do desfecho do julgamento em si.

Há imensos pontos que voltam a ser discutidos, a tensão social no secundário e até entre adultos, a pressão familiar, o facto de haver uma série de coisas que levam alguém a tomar um certo caminho e não apenas um acontecimento.

Acredito que esta temporada, por dar uma versão diferente das histórias contadas na primeira, acaba por ser um óptimo ponto de partida para uma discussão sobre vários tópicos.

Uma vez mais, é uma série bem filmada, com uma banda sonora magnífica mas que não recomendo a pessoas que estejam numa situação mais sensível. Tal como da última vez deixo-vos este aviso e pedido.

Se alguém desse lado estiver a passar por uma situação que sinta o mundo a fugir, o desespero e o desinteresse pela vida, venha falar comigo, mande e-mail, crie uma conta falsa, o que precisar. Estou aqui como blogger mas também como um recurso para ouvir, falar e ajudar. Não tenham medo, eu sei que é difícil, já passei por isso, mas há sempre volta a dar.

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