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Olá, eu sou a Joana - a cara por detrás do The Paper and Ink. Vinte e muitos anos, natural e residente da belíssima cidade do Porto, sou uma fotógrafa e blogger que em 2009 criou este espaço em busca de uma maneira de dar a conhecer ao mundo a minha voz, as minhas ideias e paixões. O TPI é um lifestyle blog, ou seja, é um pouco de tudo o que marca a minha vida, me apaixona e que acredito ser importante partilhar.


Tenho 28 e vivo com os meus pais


Achei que não era tarde nem era cedo e se já vos tinha dito por aqui que ia falar sobre isto, então achei que estava na altura certa de trazer o assunto à baila e falar sobre as coisas sem rodeios nem meias medidas. Eu sou a Joana, tenho 28 anos e contra muitas expectativas da sociedade actual na qual me insiro, vivo com os meus pais e não tenho vergonha nisso, bem pelo contrário.

Devo começar, ou pelo menos começar este parágrafo, por dizer que vivemos numa sociedade completamente "louca" no que toca a isto de não ter idade para sair de casa ou já não ter idade para viver em casa - leia-se casa dos pais ou família. Numa sociedade em que as "normas" são cumpridas à risca eu teria acabado ali a minha licenciatura pelos 22/23 e pelos 25 anos já teria feito as malas e encontrado o meu cantinho. A sociedade acha que é assim e leva-nos a acreditar que assim deve ser. Não temos trabalho estável? Paciência. Não temos dinheiro suficiente? Problema nosso, arranjemos um segundo trabalho ou uma caixa de sapatos para morar. 

A verdade é que nos dias que correm os 20's para muitos de nós são uma década de incertezas imensas. Os 30's também, os 40's também...bem, a vida toda o é mas os 20's são a idade em que devemos começar a ser adultos, tomar conta de nós mesmos e fazer-nos à vida. Tudo isso é verdade, mas também vivemos numa altura em que estamos a sair ainda de uma crise económica, em que estabilidade financeira ou é escassa ou nem existe, em que os trabalhos são precários e nem toda a gente arranja um, em que tanta coisa se passa e que nos impossibilita de viver uma vida como os nosso pais viveram nos anos 80 e 90. A verdade é que temos de colocar esta necessidade social de fazermos tudo acontecer nos nossos 20 anos um bocadinho de parte graças a tudo isto.

Eu por mim falo e dou o meu exemplo. Sou freelancer, trabalho por conta própria, tenho um pico anual de muito trabalho e outro com pouco. O que recebo dá para o básico mas se tivesse de pagar casa, contas e ainda esticar o orçamento para comer, vestir-me e "viver", não ia dar. Não é por isto que não tenho vergonha de viver em casa, não tenho vergonha porque gosto de estar em casa, adoro a minha família e sei que sou uma mais valia.

Durante muito tempo achei que era um estorvo, que estava ali a gastar o dinheiro deles para comer, viver e fazer tudo. Não tinha emprego, não tinha prospecto de um futuro próximo brilhante e honestamente muitos factores juntos desgastavam o lado mental de um modo sério. Foi quando comecei a mudar esta mentalidade e comecei a perceber que apesar de sim, ainda ser um gasto por casa tenho também muito a dar.

Vivo e trabalho em casa, juntamente com o meu pai. Passamos o dia na mesma casa mas em espaços separados. Passamos horas sem nos ver, não nos chateamos um ao outro e honestamente dá-mo-nos imensamente bem. 

A minha mãe tem horários que não lhe permitem ser "dona de casa" inteiramente. Também não dá para ir às compras e honestamente até prefiro porque ela é um bocadinho dada ao desperdício e às compras por impulso.

O meu irmão passa o dia fora, entre trabalho e namorada, vem a casa pouco tempo mas é sempre bem-vindo.

A verdade é que mesmo sendo a casa deles eu é que sou a "dona da casa". Eu trato das compras, de fazer a comida, de arrumar, manter a casa, de lembrar as pessoas que têm isto ou aquilo para fazer e de ainda ir aos meus avós tratar deles - medicação, banho ao meu avô que está semi-acamado, etc - e das compras e necessidades médicas e outras.

No fim de contas não sou um estorvo, do meu jeito acabo por ser eu a manter a casa e família estabilizada. Ganho para os meus gastos, para algumas compras para casa, para isto e para aquilo e não tenho de me preocupar com muito mais - se bem que preocupo.

Mesmo tendo 28 anos e muitas vezes querendo um espaço meu fora daqui a verdade é que não me imagino a fazê-lo agora porque não quero morar sozinha - solteira mas boa rapariga - e sentir-me isolada. Não quero ir para longe do Porto onde fica o meu foco de trabalho. Não quero ter de matar-me a trabalhar em 2 ou 3 empregos para poder pagar contas e sobreviver quando não preciso - se precisa fazia e farei, se algum dia for o caso - portanto tenho a idade que tenho, vivo em casa, tenho o meu quarto, em breve o meu escritório noutra divisão, divido a casa com a família e o Angus e não podia ser mais feliz e sentir-me bem.

Não é sociedade que dita as minhas regras, sou eu e quem eu deixo que o faça.

4 comments

  1. OLÉ! Hoje em dia és preso por ter cão e preso por não ter. Tu é porque vives com os pais, eu é porque quis sair de casa dos pais e viver sozinha (e acredita que os amo mais do que tudo no mundo). Pior ainda porque tenho namorado - oh, o escândalo, porque é que ele não vive contigo?! Até a ele o põem em causa. Não adianta. É o que é e só temos que mandar os "acho que" para trás das costas.

    Posto isto, eu que vivo sozinha não tenho as tuas skills de dona de casa. Quem me dera! :p

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  2. A pressa com que muitos de nós vive é impressionante! Vejo pelo círculo de amigos, a quantidade deles que tenta seguir a vida à risca, de maneira a cumprir com os horários da sociedade, e confesso que até eu já quis seguir esse rumo: o rumo de terminar a faculdade, sair de casa cedo, criar uma família. No entanto, da mesma maneira que tais pensamentos são tentadores, eles são igualmente perigosos porque, na verdade, apenas demonstra que não parámos para considerar a nossa vida e aquilo que queremos dela!

    Identifico-me contigo quando dizes que ajudas nas lidas da casa, tornando-te num membro essencial dentro de casa. Apesar de ainda ter os meus 20, percebo-te muito bem! Também eu ajudo os meus pais a cuidar da casa, das roupas, das plantas e, na verdade, é bom sentir-me útil! Se desejo trabalhar e estudar ao mesmo tempo, não é por capricho, mas sim por ter noção de que isso ajudará em muita coisa, mesmo que só para comprar as minhas coisas. Se pretendo ficar a viver com eles até aos 25 ou 28, claramente só é problema meu! Ninguém tem nada com as nossas vidas, pois, ninguém vive nos nossos corpos ou cabeça!

    Julgo que após a leitura deste teu texto, muitas pessoas se sentirão em casa, no duplo sentido da frase! É por estas que vale sempre a pena partilhar este tipo de vivências! Obrigada!

    Beijinhos,
    LYNE, IMPERIUM

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  3. Quando comentam ao pé de mim algo do tipo "com 29 anos e ainda moras com os teus pais? Eu respondo sempre "então devia morar com os pais de quem?" ��

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  4. Oh, o que interessa é que és feliz! Quando quiseres sair tu é que sabes!
    É da maneira que tens companhia!
    Beijinhos
    Joana
    Curly Hair and Lipsticks

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