Reeducar e reduzir sim, extremismo não


Começo por deixar uma nota importante nesta publicação: não estou aqui para ofender ninguém, obrigada. Pois bem, reeducar e reduzir, este tema podia dar pano para mangas, em diversos contextos, mas hoje, hoje a conversa é alimentação sustentável, vegetarianismo e toda uma preocupação quer ela seja ecológica, moral ou de qualquer outro modo.

Não sou vegetariana, podia sê-lo, já vegan não me imagino, porém tenho acesso a informação mais do que suficiente para fazer escolhas que acredito serem justas e benéficas para mim, para o ambiente e para quem habita este planeta, humanos ou animais.

Por mim falo e apenas em consciência pessoal, quando digo que o meu estilo de alimentação de sonho seria um misto de pratos vegetarianos com carne proveniente de pequenas famílias com animais, abatidos com moderação e consciência, do género de quando nos trazem um frango da aldeia. Talvez me ficasse só pelas aves, maioritariamente, porco e vaca raramente, porco já nem sequer sou apreciadora e, apesar de tudo, coelho também não - apesar de serem fofos, em termos reprodutivos são uma praga perigosa. Claro que este tipo de alimentação, para quem como eu vive numa grande cidade, não só é cara como difícil de arranjar. Se vivesse numa aldeia provavelmente comeria animais criados por vizinhos. Bem sei que matar um animal é matar um animal, mas prefiro um animal morto rapidamente, com consciência e que viveu de um modo geral em liberdade, do que um animal que passou a vida metido entre grades e morreu num matadouro entre gritos de outros animais e medo.

Não passei ainda com isto a ser vegetariana, tenho plena noção de como acontecem os abates, as regras europeias - que muitos extremistas só se baseiam na realidade de outros países com muito menos regras de abate e cuidado para vincarem o seu ponto de vista - mas claro que com tudo o que sei mudei a minha mentalidade e mudei também os meus hábitos de consumo.

Reduzi a minha ingestão de carne, especialmente de suínos e bovinos, passei a consumir ovos de galinhas criadas ao ar livre ou em caso muito esporádico de galinhas criados no solo - nada de ovos de galinhas de gaiola - e quanto ao leite e derivados, continuo com o queijo, é certo, mas o leite já o reduzi faz imenso tempo e por norma se não optar por uma bebida vegetal, 1L de leite sem lactose dura-me 1 semana, se não até mais.

Não virei extremista e detesto quem o é, especialmente quando já comeram de tudo, encontraram um novo estilo de vida e do nada são os porta-voz supremos da inteligência e da verdade de alimentação. Isto vai para os vegans malucos, vegetarianos de algibeira, omnívoros acérrimos e malta que acha que encontrou o Santo Graal num determinado alimento, dieta ou loucura, como os suminhos detox. Não tenho pachorra, não tenho paciência nem para as modas, nem para as pessoas que ficam tipo burros com palas.

Eu acredito sim numa alimentação equilibrada, com carne sim, pouca, mas que sempre fez parte da alimentação humana - mostrem-me provas irrefutáveis contra - e que vá de encontro ao que é melhor para nós, para a sustentabilidade ambiental e para o que acreditamos ser melhor para os seres vivos, animais ou humanos. Acredito que há muitos erros numa indústria que tem demasiadas bocas para alimentar neste mundo, e que mesmo assim há tantos a passar fome. Uma indústria que levou ao ponto do desperdício alimentar que agora tentamos travar, dos problemas ecológicos que enfrentamos.

O mundo é cíclico, tal como a vida e mais tarde ou mais cedo vamos entender que não podemos comer todos por igual, com a mesma dieta. O mundo não aguenta ter todos os humanos a comer carne diariamente, como não iria aguentar ter todos os humanos a virar vegetarianos ou até vegan, portanto reeducarmos hábitos e reduzirmos os consumos excessivos, tal como aprender a comprar pela necessidade e não pela quantidade e preço é, para mim, o passo mais inteligente que podemos tomar a partir daqui.

Isto é a minha verdade, para mim, sem impor isto a ninguém. Tal como disse no início desta publicação a ideia não é ofender mas sim dar um ponto de vista, o meu.






Joana, 28 anos e natural da cidade do Porto. 
Sou uma fotógrafa de profissão, louca por viagens e sempre com demasiadas opiniões para dar. 
Este é o meu blog no qual escrevo desde 2009 e ele já mudou tanto quanto eu mudei ao longo destes últimos, quase, 10 anos.

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