A Escola by The Artist



Há 14 anos atrás entrava na Escola Artística de Soares dos Reis no meu 10º ano. 14 anos depois entro no mesmo edifício, que em 2007 deixou de albergar a centenária escola - que outrora tinha sido o edifício de uma chapelaria - e que desde 2009 passou a ser casa da Escola de Hotelaria e Turismo do Porto. Mais tarde, em 2014, abriu juntamente com a escola de Hotelaria o agora denominado The Artist Porto Hotel & Bistrô. Posso dizer que foi estranho e ao mesmo tempo deixou-me feliz por lá voltar. A escola da minha altura tinha más condições, era uma escola demasiado antiga, sem grandes reabilitações a todos os níveis mas guardo desses dias boas memórias e ainda me lembro de todos os cantos que entretanto mudaram imenso.

Voltei a este espaço com um convite para conhecer o "Laboratório do Chefe", um jantar de degustação no restaurante A Escola by The Artist - que se situa na antiga zona do bar da Soares dos Reis, para quem por lá passou - a cargo do chefe Hugo Dias. Assim sendo todas as opiniões aqui presentes são pessoais e honestas, porém é importante relembrar que sendo este um evento privado  e com convite, existem certos parâmetros que não posso utilizar para medir a real experiência do jantar. Conheci também o B'Artist, o bar do hotel - na antiga área da secretaria - e infelizmente, devido à lotação total dos 17 quartos do hotel, não nos foi possível conhecer nenhum dos outros espaços, como a suite principal que fica na antiga área da biblioteca.





O espaço em si está lindíssimo, aproveitando toda a divisão do edifício original mantiveram-se muitos dos espaços inalterados mas agora com uma decoração moderna, elegante e convidativa. O mais engraçado é que grande parte da decoração, de obras de estatuária e obras emolduradas, vieram do espólio da Escola Soares dos Reis, sendo que muitos dos desenhos e pinturas de antigos alunos se encontram nas paredes de todo o espaço. Obviamente que andei a ver se havia por lá algo meu, mas nos espaços em que estive não encontrei nada, ou na verdade não reconheci nada já que nos últimos 14 anos perdi a conta aos trabalhos que fiz.
O Restaurante funciona como escola, sendo todo o hotel em si o único de dois hotel-escola existentes em Portugal - um em Lisboa e o outro, este, no Porto - e na cozinha do A Escola são os alunos da Escola de Hotelaria - cozinha e pastelaria - que formam a equipa que vai rodando a cada três semanas. Assim sendo, quem passa no restaurante é quase como um formador, sendo que no final é nos pedido para preencher um inquérito breve mas crucial para os alunos que na cozinha testam a teoria daquilo que vão aprendendo na área da Escola de Hotelaria. Tudo isto, como dito acima, a cargo do chefe Hugo Dias.

No caso do jantar para o qual fui convidada tivemos uma experiência total de 9 pratos juntamente com harmonização vínica a cargo da Sogevinus. Para quem quiser experimentar este tipo de jantar poderá fazê-lo com dois tipos de menu:

Teste Sensorial Nível 1
Degustação de 5 experiências numa refeição completa - 30€ por pessoa
Teste Sensorial Nível 2
Degustação de 7 experiências numa refeição completa, a um nível superior - 40€ por pessoa

Relembro apenas que o menu em si altera conforme a época e apenas o conhecemos quando os pratos nos chegam. A pessoa que estiver a experimentar apenas deverá comunicar quaisquer alergias ou intolerâncias alimentares que tenha e tudo o resto é uma surpresa.

Mas agora passando ao jantar e a todos os 9 momentos que por lá experimentei, com imensa criatividade, produtos sazonais e uma ementa pensada para a Primavera.









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PRIMEIRO MOMENTO



Uma salada fria de Primavera. Com puré de ervilha e legumes crocantes como a cenoura, o tomate e o rabanete. Fresco, saboroso mas para mim o puré de ervilha necessitava de um contraste mais ácido para contrabalançar a doçura natural desta leguminosa.

SEGUNDO MOMENTO



Deliciosos gnocchi de batata, bastante suaves e acompanhados com puré de caju, crocante do mesmo e ainda couve kale ligeiramente crocante. Uma combinação de texturas que ligavam perfeitamente entre si num prato bastante harmonioso em termos de sabor.

TERCEIRO MOMENTO



Cavala em duas texturas, uma em tempura, deliciosa e quente, a outra em ceviche, fria e aromática. Senti que foi um prato bem conseguido, especialmente ligando as duas texturas da cavala com molho de ceviche, a maçã e o kumquat, porém para mim a aromatização com coentros fez-me gostar menos deste prato já que é uma das poucas ervas que não tolero a nível de paladar. Além disso senti que o ceviche deveria ter mais acidez.

QUARTO MOMENTO




Tenho emoções bastante contraditórias relativamente a este prato e talvez o lado mais negativo advenha do facto de a apresentação num recipiente para cozinhar a vapor não seja a melhor opção para comer perna de codorniz, o que implica o uso de faca e que neste tipo de superfície se torna muito complicado. Obstante esse facto a codorniz estava boa, apesar de algumas pessoas terem tido o infortúnio de ter a sua carne ligeiramente mal cozinhada, e a ligação com a massa kataifi crocante e um toque de mel, fez com que fosse um prato ao qual daria uma boa qualificação, caso me fosse pedido tal coisa.

QUINTO MOMENTO



Um limpa-palato que infelizmente deixou a desejar tal foi a disparidade de apresentações que vi. Uma granita de gim com molho e pedaços de ruibarbo. A granita não estava má porém a quantidade de gin ainda a boiar no prato deixou-me ligeiramente reticente, especialmente ao ver várias pessoas a comerem apenas uma a duas colheradas deste prato uma vez que o sabor era extremamente forte.

SEXTO MOMENTO




Se até aqui tinham sido apenas entradas, o sexto momento trouxe-nos o prato de peixe. Salmonete com molho de caldeirada, espuma cozinhada de sésamo e funcho grelhado. Uma óptima combinação, com peixe saboroso, uma caldeirada salgada q.b. e a espuma de sésamo adocicada que dava um toque óptimo e harmonioso ao prato.

SÉTIMO MOMENTO




Magret de pato, com puré de couve-flor, puré de batata doce, puré de beterraba e crocante de ovo e miso. Não ouvi o chef falar sobre isso mas acredito ter também uma redução de vinho tinto bastante saborosa. Um prato que teria adorado, com sabores que ligam muito bem entre si, porém o meu pato estava demasiado passado, o que o tornou um pouco duro tanto para cortar como para comer. Tirando este obstáculo é um bom prato e que consegue reunir bastantes vegetais primaveris e uma carne que joga bem com tudo o resto. O crocante de miso era delicioso e acho que foi a textura perfeita para rematar os pratos salgados.

OITAVO MOMENTO




Passamos neste momento à área da pastelaria e muito sinceramente foi talvez o meu momento predilecto de todo o jantar. Uma combinação de toranja, açafrão e pistáchio, com bolo bastante fofo e fresco, um crocante delicioso e uma combinação maravilhosa de cítrico e especiaria. Para mim é a representação perfeita da estação e caso fosse um prato em carta permanente concerteza voltaria lá para repetir esta experiência.

NONO MOMENTO



Nono e último prato e segunda sobremesa. Não tão criativo como a primeira mas igualmente saboroso e com uma combinação muito boa de sabores. Um gelado de malagueta - ligeiramente gelatinoso para não derreter - com um coração de doce de morango, uma experiência picante mas que realmente soube bem. O gelado era o topo de um crocante de chocolate que escondia sob si uma mistura de mousse de chocolate ruby e uma combinação de frutos vermelhos, absolutamente delicioso, menos inventivo que a primeira sobremesa mas pensado para os amantes de sobremesas bem doces e de chocolate.





Apesar da comida fantástica tenho de apontar um lado negativo a toda a experiência que foi, sem dúvida, o tempo que levou a ser servido todo o jantar. Foram quase 5h sendo que apesar do atraso de quase 1h no início, entramos para a sala de jantar por volta das oito da noite e apenas terminamos já passava da meia-noite e um quarto. Se isto acontece num evento pensando e planeado não sei se poderá também acontecer num serviço normal a qualquer dia da semana. Fica apenas aqui este apontamento que foi realmente o único ponto muito negativo desta noite.

PRESS EXPERIENCE: Todas as opiniões aqui expressas são honestas e pessoais. Obrigada pelo convite à organização do evento.







Joana, 28 anos e natural da cidade do Porto. 
Sou uma fotógrafa de profissão, louca por viagens e sempre com demasiadas opiniões para dar. 
Este é o meu blog no qual escrevo desde 2009 e ele já mudou tanto quanto eu mudei ao longo destes últimos, quase, 10 anos.

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